quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A sociedade da esmola


Nada mais asqueroso do que um alerta para os efeitos perversos do Estado social vindo precisamente de alguém que ganhou protagonismo exactamente da erosão do alvo das suas críticas. Quanto mais o Estado social for reduzido, mais importantes e mais poderosas ficarão as bondosas Isabeis Jonets deste país. Esta, a original, montada na superioridade moral conferida pelos donativos que distribui ao seu bel-critério, já cresceu o suficiente para  se atrever a dizer que "as pessoas passaram a achar que têm direito a todas as prestações sociais e dão-no como adquirido. Muitas vezes, preferem ir para o subsídio de desemprego do que ter um emprego, ainda que ele seja menos bem pago, porque sabem que vão ter a prestação social no final do mês". Não vou dizer que a senhora passou a achar porque, às tantas, sempre achou que os descontos que cada trabalhador, e não o Estado, como sustenta, paga mensalmente pela sua própria protecção social no desemprego deveriam ser substituídos por donativos directos e automáticos para a instituição que dirige. Que bem se sentiria depois o seu ego doentio com uma multidão diante dos seus olhos , ainda maior do que a actual, de mão estendida  a apelar à sua infinita bondade e, de quando em vez, ter o poder de dizer: "não, filhinho, tu não. Vai mas é trabalhar e podes começar ali pelas latrinas", "não, tu não, se és gordo é porque já comeste mais do que o suficiente, faz-te mal à saúde" ou, simplesmente, "tu não e porque não".. Esta gente é perigosa. É preciso cuidado com os donativos de onde lhes nasce o poder que depois usam para moldar a sociedade à sua medida e proveito.

3 comentários:

Facebook share disse...

Nada mais asqueroso do que um alerta para os efeitos perversos do Estado social vindo precisamente de alguém que ganhou protagonismo exactamente da erosão do alvo das suas críticas. Quanto mais o Estado social for reduzido, mais importantes e mais poderosas ficarão as bondosas Isabeis Jonets deste país. Esta, a original, montada na superioridade moral conferida pelos donativos que distribui ao seu bel-critério, já cresceu o suficiente para se atrever a dizer que "as pessoas passaram a achar que têm direito a todas as prestações sociais e dão-no como adquirido. Muitas vezes, preferem ir para o subsídio de desemprego do que ter um emprego, ainda que ele seja menos bem pago, porque sabem que vão ter a prestação social no final do mês". Não vou dizer que a senhora passou a achar porque, às tantas, sempre achou que os descontos que cada trabalhador, e não o Estado, como sustenta, paga mensalmente pela sua própria protecção social no desemprego deveriam ser substituídos por donativos directos e automáticos para a instituição que dirige. Que bem se sentiria depois o seu ego doentio com uma multidão diante dos seus olhos , ainda maior do que a actual, de mão estendida a apelar à sua infinita bondade e, de quando em vez, ter o poder de dizer: "não, filhinho, tu não. Vai mas é trabalhar e podes começar ali pelas latrinas", "não, tu não, se és gordo é porque já comeste mais do que o suficiente, faz-te mal à saúde" ou, simplesmente, "tu não e porque não".. Esta gente é perigosa. É preciso cuidado com os donativos de onde lhes nasce o poder que depois podem usar como queiram.

Nan disse...

Já não é primeira vez que a senhora faz comentários pouco decentes. Sinceramente, não sei se devo continuar a contribuir para o BA...

Anónimo disse...

Como bem disse, esta gente é perigosa, porque insensível, confunde direitos com misericórdia, só espero, depois, não irmos parar ao mesmo céu, safa...