sexta-feira, 21 de setembro de 2012

A estabilidade está a passar por aqui


Primeiro, numa conferência na Alemanha, foi Paulo Portas, como se Sábado passado não tivesse existido, a mostrar-se muito orgulhoso pela forma como os portugueses têm enfrentado a crise. Seguiu-se Vítor Gaspar, no mesmo registo, a negar qualquer falhanço na execução orçamental, a reafirmar que o "consenso que existia em Junho de 2011 está forte na sociedade portuguesa ainda hoje" e, depois de ter sido vaiado minutos antes, a elogiar a resignação dos portugueses que o convence que é "muito grande a sua disponibilidade para os sacrifícios".

Miguel Relvas sai do bunker e entra em cena para dizer que claro que confia em Paulo Portas. PSD e CDS decidem criar um "conselho de coordenação da coligação", uma espécie de Ministério dos Assuntos Parlamentares mas para funcionar fora do bunker e à prova de Portas. As sondagens não dão mais de 24% ao PSD e 7% ao CDS, 77% dos inquiridos avaliam como mau ou muito mau o desempenho do Governo e 87% afirmam-se descontentes com esta democracia. O garante do funcionamento das instituições democráticas sai do seu silêncio feito de trafulhices e lamentações para dizer que está tudo bem ou perto disso, que considera que está “ultrapassada” a eventualidade” de uma crise política, uma situação que seria dramática” para o país. Passos Coelho reitera a utilidade de todos os sacrifícios que o seu governo impôs ao país e diz que não são cegos nem surdos,e certamente também não serão mudos perante as dificuldades.

Termino interrompendo esta série de loucuras com um momento de lucidez. Isaltino, há muito condenado e – não pode dizer-se "ainda" - fora da pildra: ""Portugueses aceitam tudo. Não aceitaram a TSU porque foi à pressa." Quem é que disse que uma maioria absoluta é sinónimo de estabilidade política? Até se diz que só com estabilidade política é que se consegue restabelecer a confiança. Está tudo bem e não poderia ser de outra forma. Seja lá o que isso for, a estabilidade está a passar por aqui.


3 comentários:

Facebook share disse...

Primeiro, numa conferência na Alemanha, foi Paulo Portas, como se Sábado passado não tivesse existido, a mostrar-se muito orgulhoso pela forma como os portugueses têm enfrentado a crise. Seguiu-se Vítor Gaspar, no mesmo registo, a negar qualquer falhanço na execução orçamental, a reafirmar que o "consenso que existia em Junho de 2011 está forte na sociedade portuguesa ainda hoje" e, depois de ter sido vaiado minutos antes, a elogiar a resignação dos portugueses que o convence que é "muito grande a sua disponibilidade para os sacrifícios".

Mikos disse...


Isto não vai lá com manifestações e gritaria.Este país tem um cancro,e esta quimioterapia não resolve apenas adia o inevitável.Enquanto tolerarmos que os ladrões se sentem ao nosso lado nos restaurantes ou em outro lado qualquer e não lhes dermos na tromba e lhes dissermos olhos nos olhos o que pensamos deles isto não muda.Já ouvi tipos orgulhoso por terem ficado na mesa ao lado do Duarte Lima,e o cometário foi "Epá o gajo está magro,pois é deve estar a passar um mau bocado" tadinho não é?Para terminar,isto só vai á porrada para meter estes gajos todos atrás das grades.

Anónimo disse...

A TSU caiu mas não os ladrões que deixaram este país de tanga e continuam a andar por aí como se não fosse nada com eles.Isso é que devíamos exigir nas manifestações,julgados e se culpados,expropriados e presos.