sexta-feira, 6 de julho de 2012

Os bons vizinhos

Nas publicações on-line do dia, é uma dor de alma ler os comentários à notícia da meia inconstitucionalidade decidida ontem pelo TC. Constata-se, é bem mais simples insultar funcionários públicos com base em regalias inexistentes ou alegando as diferenças de vínculo que realmente existem relativamente ao sector privado do que protestar pelo roubo que, em nome de uma equidade suspensa durante um ano porque há um memorando que o Tribunal Constitucional valoriza mais do que a própria Constituição, não deveria abranger ninguém e que, tudo aponta agora nesse sentido, ao qual ninguém escapará.
Um roubo da autoria de um Governo que faz asneiras atrás de asneiras e injustiças umas atrás das outras em nome de um resultado que hoje está bem mais distante do que quando começou a dar largas à sua fúria “reformista”. Um roubo  ao qual poucos chamam pelo nome e que, parece ter passado despercebido , contou, primeiro, com a promulgação de um Presidente que não exerce a sua função de guardião da Constituição e, depois, com a conjugação do zelo orçamental de um TC sem competências nesse âmbito e relapso nas competências que são as suas. E um roubo que conta agora também com o contributo de uma multidão que se revolta contra o vizinho porque sente que os ladrões vão bater à sua porta, não apenas à da casa ao lado.
A avaliar pela maioria dos comentários que li, o problema não está no roubo em si, está no roubo a si. O problema não são os ladrões, é o vizinho, e o vizinho do vizinho, e o vizinho do vizinho do vizinho: é este povo. E a sua recusa em unir-se para correr com a ladroagem com a qual teima em manter boas relações. O ladrão é o bom vizinho. Tem poder. Trata-se com respeitinho. Eles aproveitam.

1 comentário:

FB request disse...

Nas publicações on-line do dia, é uma dor de alma ler os comentários à notícia da meia inconstitucionalidade decidida ontem pelo TC. Constata-se, é bem mais simples insultar funcionários públicos com base em regalias inexistentes ou alegando as diferenças de vínculo que realmente existem relativamente ao sector privado do que protestar pelo roubo que, em nome de uma equidade suspensa durante um ano porque há um memorando que o Tribunal Constitucional valoriza mais do que a própria Constituição, não deveria abranger ninguém e que, tudo aponta agora nesse sentido, ao qual ninguém escapará.