quinta-feira, 5 de julho de 2012

Está na hora do "tempo"

Na versão do Governo do início do ano, 2012 seria um ano de viragem, no qual a economia começaria a dar sinais de recuperação e o desemprego deixaria de crescer a um ritmo cada vez mais acelerado, “lá para o segundo semestre”.

Porém, os meses foram passando e, impiedosa, ao som da intransigência do refrão “nem mais tempo, nem mais dinheiro”, a realidade foi demonstrando precisamente o contrário. Ao sabor dos elogios da troika, o descalabro agigantou-se tragicamente pela mão de uma cegueira ideológica bastante conveniente para certa tipologia de enriquecimento facilmente identificável por acontecer à sombra do mesmo Estado ao qual dedica animadas dissertações pontuadas pelo escárnio e pela moralidade mais purificadora.
E cá estamos nós, no tal segundo semestre em que tudo começaria a mudar para melhor, um ano depois de tudo começar a mudar para pior. Plano B: ao som dos mesmos elogios, manter as mesmas políticas e o mesmo caminho de fracasso e atribuir o cataclismo a um erro de cálculo na duração do período de “ajustamento”: não são as políticas que estão erradas, querem agora convencer que tudo se resume a uma questão de tempo.
O Governo, amarrado ao refrão "nem mais tempo, nem mais dinheiro" e alegadamente impedido de o fazer para não manchar a tal credibilidade externa sobre a qual toda a gente fala sem que ninguém a tenha visto,  falou pela voz de um vice da bancada laranja, Miguel Frasquilho, que pediu que a troika peça ao Governo a aceitação de mais dois anos para o cumprimento das metas fixadas, bem como um resgate adicional. Do outro lado do mesmo lado, o sempre prestável  PS não tardou a manifestar o seu acordo relativamente ao “plano B”, vangloriando-se do adiantamento mental que permitiu ao partido descobrir mais cedo do que o PSD que, em vez de austeridade, do que o país precisa é de austeridadezinha, uma austeridade mais light, com mais tempo e com mais dinheiro para um sector financeiro ávido de mais juros e de novas injecções de capitais públicos.
Os dados estão lançados. Mais tempo, mais dinheiro, mais sacrifícios para pobres e remediados, mais recessão, mais desemprego. Com toda a certeza que 2015 voltará a ser “um ano de viragem”, cheio de pujança económica, especialmente no segundo semestre. 2015 será tudo o que 2012 não foi. Exclusivamente por falta de tempo. 2015 será um ano cheio de tempo.

1 comentário:

FB request disse...

Os dados estão lançados. Mais tempo, mais dinheiro, mais sacrifícios para pobres e remediados, mais recessão, mais desemprego. Com toda a certeza que 2015 voltará a ser “um ano de viragem”, cheio de pujança económica, especialmente no segundo semestre. 2015 será tudo o que 2012 não foi. Exclusivamente por falta de tempo. 2015 será um ano cheio de tempo.