sábado, 7 de julho de 2012

Em lume brando

O PÚBLICO revelou ontem que Miguel Relvas conseguiu a equivalência a 11 das 36 disciplinas do curso de licenciatura com base, essencialmente, na experiência profissional que declarou ter obtido anteriormente em quatro empresas privadas. Mas a sua ligação a essas empresas tinha apenas alguns meses. E o cargo de administrador que disse à Universidade Lusófona desempenhar numa delas devia ter sido declarado ao Tribunal Constitucional (TC) em 2009, mas não o foi.

Na edição de hoje, o Expresso adianta que “Três dos quatro professores de Relvas nunca o avaliaram”: os docentes de três das cadeiras de Ciência Política exigidas a Miguel Relvas para se licenciar, das quatro que a Universidade Lusófona considerou necessárias para atribuição do diploma, garantiram ao semanário que nunca viram o actual ministro-adjunto naquela escola. Entre ameaças, a Lusófona diz que Segunda-feira revelará a lista completa dos avaliadores. O caso está para durar.

Por mim, que dure. Enquanto Relvas não se demita, a credibilidade do Governo continuará a arder em lume brando. Mas é uma pena que notícias deste teor sejam o combustível que o desastre que se abate sobre o país não consegue ser. Seria por aí, pelos cortes cegos que se sucedem e pelos privilégios e enriquecimentos que o Governo mantém intocáveis, que a credibilidade do Governo deveria arder. Mas não é. Todo o empobrecimento generalizado que hoje se verifica em simultâneo com o mais descarado dos tráficos de riquezas os portugueses aceitam como fenómeno natural. É esta inversão que nos deixa a todos a cozer, também em lume brando, entretidos com o caso de outra licenciatura manhosa que terá o mesmo impacto sobre as vidas dos portugueses que teve a anterior: nenhum. Pelo contrário, da faca que entra pelas conquistas sociais de décadas como em manteiga derretida, havemos de levar uma eternidade a recuperar. Por muito tempo, iremos pagar bem caro por toda a liberdade que um tal "amplo consenso social" continua teimosamente a dispensar-lhe. 

4 comentários:

FB Request disse...

O PÚBLICO revelou ontem que Miguel Relvas conseguiu a equivalência a 11 das 36 disciplinas do curso de licenciatura com base, essencialmente, na experiência profissional que declarou ter obtido anteriormente em quatro empresas privadas. Mas a sua ligação a essas empresas tinha apenas alguns meses. E o cargo de administrador que disse à Universidade Lusófona desempenhar numa delas devia ter sido declarado ao Tribunal Constitucional (TC) em 2009, mas não o foi.

Os que estão a fazere tijolo dizem que bossa senhoria benceu.... disse...

Bom se a credibilidade de uns quantos ministros (com um número apreciável de economistas e gestores só visto no cavaquistão)se vai abaixo por uma licenciatura ou doutoramento de favor, então se bem me lembro desde presidentes de jovens agricultores de évora com 18 anos e 6 cadeiras feitas e com sobrenome ministeriável a tios e sobrinhos com doutoramentos virtuais que se tornaram gestores na pós governança

tinhamos aí uns dois governos impolutos nos últimos 150 anos

e essa da eternidade a recuperar disse...

é como nosso guterres dizia

é só fazer as contas

a eternidade alemã foi de 4 anos na 1ª e 12 anos na 2ª

logo nós gregos em 160 anos fazemos tudo

M. disse...

Concordo. Por escandaloso e chico-espertível que seja, está a ter mais destaque do que, por exemplo, o chumbo do TC. Impressiona-me também que todos estejam aparentemente conformados com a aplicação do saque agora a todos.
Boa semana!
Madalena