terça-feira, 22 de maio de 2012

Tal como em todas as últimas vezes

Tal como em todas as últimas vezes, as previsões da OCDE, hoje tornadas públicas, foram revistas em baixa. Tal como em todas as últimas vezes, as previsões da OCDE projectam uma queda no PIB no corrente ano (-3,2%) superior àquela que projectam para o ano imediatamente a seguir (-0,9%), com o desemprego a observar um crescimento compatível com o cenário desenhado. Tal como nas últimas vezes, a uma economia mais destruída correspondem contas públicas mais desequilibradas (défices de 4,6% do PIB no ano corrente e 3,5 no ano seguinte). Tal como nas últimas vezes, a degradação económica acelerada que novamente constatam e projectam leva-os a concluir que o caminho de austeridade seguido, o único possível e único correcto, exige novos “ajustamentos”, leia-se, cortes. Tal como em todas as últimas vezes, o Presidente da República vende outra realidade, um mundo cheio de esperança e oportunidades. E, tal como nas últimas vezes, à sugestão de ainda mais medidas de austeridade, o Governo reage dizendo que não são necessárias e apontando o pessimismo das previsões que em todas as últimas vezes a realidade revelou terem pecado por demasiado optimistas. O Governo nunca anuncia mais austeridade com alguma antecedência. É no próprio dia que admitem o até aí sempre negado. E assim será, em tal dia, tal como em todas as últimas vezes em que quase todos se esforçaram por acreditar que a sua obediência e resignação patriótica seria um investimento que teria outro retorno que não o de nova dose de sacrifícios nesse dia anunciada. A UE, o FMI, O BCE, a OCDE, o PR, o Banco de Portugal, o Governo e os partidos que o apoiam, tal como em todas as últimas vezes, terão todo o gosto em voltar a cobrir de elogios um povo que os deixa tão à vontade a brincar com as suas vidas e com o seu país. Tal como em todas as últimas vezes, venha a próxima.

1 comentário:

Anónimo disse...

Tal como em todas as últimas vezes, as previsões da OCDE, hoje tornadas públicas, foram revistas em baixa. Tal como em todas as últimas vezes, hoje tornadas públicas, projectam uma queda no PIB no corrente ano (-3,2%) superior àquela que projectam para o ano imediatamente a seguir (-0,9%), com o desemprego a observar um crescimento compatível com o cenário desenhado. Tal como nas últimas vezes, a uma economia mais destruída correspondem contas públicas mais desequilibradas (défices de 4,6% do PIB no ano corrente e 3,5 no ano seguinte). Tal como nas últimas vezes, a degradação económica acelerada que novamente constatam e projectam leva-os a concluir que o caminho de austeridade seguido, o único possível e único correcto, exige novos “ajustamentos”, leia-se, cortes. E, tal como nas últimas vezes, à sugestão de ainda mais medidas de austeridade, o Governo reage dizendo que não são necessárias e apontando o pessimismo das previsões que em todas as últimas vezes a realidade revelou terem pecado por demasiado optimistas. O Governo nunca anuncia mais austeridade com alguma antecedência. É no próprio dia que admitem o até aí sempre negado. E assim será, em tal dia, tal como em todas as últimas vezes em que quase todos se esforçaram por acreditar que a sua obediência e resignação patriótica seria um investimento que teria outro retorno que não o de nova dose de sacrifícios nesse dia anunciada. A UE, o FMI, O BCE, a OCDE, o Banco de Portugal, o Governo e os partidos que o apoiam, tal como em todas as últimas vezes, terão todo o gosto em voltar a cobrir de elogios um povo que os deixa tão à vontade a brincar com as suas vidas e com o seu país.