quarta-feira, 30 de maio de 2012

Meia dúzia de disparates

Cresce o desemprego, os cortes nas prestações sociais fazem crescer o número de desempregados sem direito a qualquer rendimento, o aumento da carga fiscal e os cortes salariais fazem diminuir o rendimento das famílias e todos eles fazem aumentar o ritmo de devolução de imóveis à banca. Na Segunda-feira, o Governo anunciou ter chegado a acordo com a Associação Nacional de Municípios e transferirá para as autarquias mais endividadas uma verba a rondar os mil milhões de euros. Em contrapartida, aquelas ficam obrigadas a agravar as tarifas da água, que farão a fortuna de quem venha a vencer a corrida da privatização do sector, agendada para breve, e aplicarão aos seus munícipes a taxa máxima de IMI, imposto já anteriormente dilatado pela reavaliação de imóveis em curso. Mais dificuldades, mais devoluções, menor rendimento, menor consumo, mais desemprego. Disparate número um.

Disparate número dois, entre outras isenções, o maior proprietário imobiliário do país, a Igreja Católica, está isento de IMI.

Disparate número três, 160 personalidades, que se apresentam ao público dizendo de si próprios serem detentores de “grande credibilidade moral e cívica”, juntaram-se ao maior proprietário imobiliário do país, a ICAR. Não para obrigá-lo a prescindir de um privilégio que sobrecarrega toda a restante sociedade. Não para pressioná-lo a aliviar as dificuldades que a sua isenção agrava através da redistribuição da fortuna assim amealhada. A iniciativa visa a angariação de donativos junto de terceiros, a canalizar para um fundo que, segundo os seus administradores, se tem destinado a resolver problemas habitacionais. Problemas habitacionais como a onda de despejos que varre o país, muitos deles inexistentes caso o maior proprietário do país pagasse impostos.

Disparate número quatro, em vez de reclamarem equidade fiscal, direito que obstaria a que tantos e tantas se vissem obrigados à sujeição à humilhação de terem que pedir, há quem junte aos impostos que paga os donativos que entrega ao maior proprietário imobiliário do país para que este possa promover-se fazendo caridade sem gastar um cêntimo, com dinheiro que não é seu e sem a fiscalização a que estaria sujeita a receita que seria arrecadada pelo Estado com o fim do absurdo das isenções fiscais desde sempre privilégio da Igreja.

Disparate número cinco, com o desemprego em máximos e o número de desempregados a aumentar assustadoramente todos os dias, alguns Ministros desdobraram-se por várias escolas numa iniciativa muito bonita. Nada a ver com o número ainda não revelado de professores contratados que o Governo irá juntar aos mais de um milhão de desempregados. Também nada que ver com criação de emprego. Pelo contrário, tratou-se de uma acção de sensibilização dos alunos para o papel que podem ter numa sociedade na qual o trabalho é gratuito e as pessoas vivem de ar e vento: o “voluntariado” torna o emprego e as remunerações realidades completamente desnecessárias.

Disparate número seis, a Comissão Europeia voltou hoje a questionar a duração máxima dos subsídios de desemprego em Portugal para os trabalhadores com mais tempo de descontos para a Segurança Social, considerando que "ainda é muito longa". Existem actualmente mais de 800 mil desempregados sem direito a qualquer prestação social, mas para estes senhores o problema do desemprego resolve-se diminuindo o salário e a baixa de salários é função do desespero. Diz que os comunistas é que punham toda a gente a ganhar o mínimo. Parece que eram tão terríveis que roubavam aos cidadãos o direito a garantir uma existência com alguma qualidade de vida através do salário ganho com o suor do seu trabalho.

2 comentários:

FB Request disse...

Disparate número seis, a Comissão Europeia voltou hoje a questionar a duração máxima dos subsídios de desemprego em Portugal para os trabalhadores com mais tempo de descontos para a Segurança Social, considerando que "ainda é muito longa". Existem actualmente mais de 800 mil desempregados sem direito a qualquer prestação social, mas para estes senhores o problema do desemprego resolve-se diminuindo o salário e a baixa de salários é função do desespero. Diz que os comunistas é que punham toda a gente a ganhar o mínimo e roubavam aos cidadãos o direito a boas vidas ganhas com o suor do seu trabalho.

Angelina disse...

Aos professores contratados deverão acrescentar-se professores dos quadros de escola. Com o fim dos cursos profissionais e o aumento do número de alunos por turma, a coisa vai ser muito, muito má. Só na minha escola são dezenas de professores do quadro que se pode desde já prever que não terão horário no próximo ano.