terça-feira, 15 de maio de 2012

Enriquecer empobrecendo

Segundo dados divulgados hoje, o Produto Interno Bruto (PIB) português caiu 2,2 por cento nos três primeiros meses do ano em comparação com o primeiro trimestre do ano passado e 0,1 por cento face aos últimos 3 meses de 2011. É o sexto trimestre consecutivo que a riqueza produzida no país diminui, numa dinâmica recessiva que permanece inalterada desde o fim de 2010. E podemos ir um pouco mais longe do que os 18 meses consecutivos de empobrecimento que estes dados traduzem. Basta recordar o crescimento contínuo de lucros das empresas do PSI-20, acréscimos de riqueza que periodicamente são anunciados, para esbarrarmos com a transferência de riqueza que, ao longo da última década, substituiu a criação de riqueza do período anterior. Refira-se ainda que  com lucros a crescerem 5, 10, 20 por cento,, tratando-se de uma média, uma quebra no PIB de 2,2 por cento terá uma correspondência em termos de decréscimo da massa salarial muito superior.
Estamos a tornar-nos competitivos, dizem os “especialistas” do regime. Estamos a ter é demasiada paciência com tanta prosápia e a perder de vista que, se este achatamento salarial se mantiver, uma vez que os descontos para a Segurança Social são calculados com base nos salários e o sistema deixa os lucros à margem de qualquer contribuição, não haverá velhice digna para quase ninguém. Os tais "especialistas" dizem que envelhecemos, que não há jovens suficientes para pagar tantas reformas. Temos um desemprego jovem a trepar os 40 por cento: por certo quererão um número ainda mais agradável à vista, não sei. Tais amansadores raramente são confrontados com as alarvidades que dizem para ganhar a vidinha.

1 comentário:

FB Request disse...

Segundo dados divulgados hoje, o Produto Interno Bruto (PIB) português caiu 2,2 por cento nos três primeiros meses do ano em comparação com o primeiro trimestre do ano passado e 0,1 por cento face aos últimos 3 meses de 2011. É o sexto trimestre consecutivo que a riqueza produzida no país diminui, numa dinâmica recessiva que permanece inalterada desde o fim de 2010.