quinta-feira, 10 de maio de 2012

Abaixo o radicalismo!


Depois de esbarrar com a intransigência dos ultra-ortodoxos comunistas gregos, que inviabilizou a formação de um Governo de coligação, e do Esquerda Democrática ter cedido à enorme pressão internacional, dando o dito em campanha por não dito, para aqueles que venderam a ideia de que o resultado do Syriza no Domingo passado não passou de um capricho fruto daquilo que os “especialistas” denominam” de “voto de protesto” e não propriamente da materialização em votos de uma vontade, tão inequívoca como qualquer outra, de apoiar um programa eleitoral, a primeira sondagem desde as eleições de 6 de Maio dissipa a névoa sobre a realidade que tem ocupado quem foi incumbido de mascará-la: o Syriza (Coligação de Esquerda (“radical”, como toda a imprensa faz questão de chamar-lhe com inusitada insistência) surge como primeira força política com 27,7% dos votos (e, eventualmente, 128 deputados, a 23 da maioria, com o bónus dado ao mais votado. O Nova Democracia surge em segundo lugar, com 20,3% (57 deputados), seguido pelo PASOK, com 12,6% (36 lugares), ou seja, os partidos pro-austeridade voltam a não reunir mais do que 32,6% de votos (93 mandatos). A confirmar-se em eleições, esta sondagem deita por terra a esperança daqueles que esperam que na Grécia se repita a vergonha para a democracia que foi a repetição do referendo ao Tratado de Lisboa na Irlanda, que, como todos se lembrarão, pôs a chantagem a transformar um Não num Sim a um documento então reputado de essencial para a construção de um futuro sorridente, o futuro que afinal não passou do presente que hoje se nega a vestir outra cor que não a de calamidade. Pelo contrário, o resultado de Domingo passado terá sido um catalisador de mudança que encheu de confiança muitos daqueles que sempre duvidam que a resposta aos seus anseios possa estar na democracia.
Radicalismos e extremismos ao largo, porque felizmente que na Europa há países onde a estabilidade, a responsabilidade e a governabilidade são conquistas efectivas que deixam os seus povos a salvo da irresponsabilidade dos primeiros, na Espanha, também hoje, tivemos a confirmação da notícia da nacionalização de um banco até há um par de dias administrado por um gestor de altíssimo gabarito, não tivesse ele sido, primeiro, governante, depois, andado a ganhar uma prestigiosa experiência no FMI, para, finalmente, sem qualquer nódoa de promiscuidade relacionada com a bolha imobiliária que fomentou enquanto Ministro ,regressar à pátria e aí pôr todo o seu talento ao serviço de um banco, logo, ao serviço do seu povo e do desenvolvimento do seu país. Os espanhóis nada têm a temer dos extremistas de esquerda, embora o que vão ter que pagar para cobrir o buraco financeiro descoberto no dito banco seja bem mais do que a parcela de Educação, Saúde e salários que a governabilidade responsável que escolheram para lhes orientar as existências, com toda a pena deste mundo e do outro, por ser uma gordura nojenta, foi obrigada a retirar-lhes. Também viviam acima das suas possibilidades, bem mais acima do que se imaginava, como o comprova o buraco descoberto no Bankia. Vejam como a música é outra quando o poder está nas mãos de quem deve: “Espanha respira de alívio com a nacionalização do Bankia” e “"o governo espanhol está no processo de assumir o controle do Bankia, um dos maiores bancos do país, para tentar acalmar os mercados, que desde há vários dias vinham manifestando dúvidas crescentes sobre a viabilidade daquela instituição. É a oitava nacionalização de um banco em Espanha desde que principiou a crise.” Isto, sim, é harmonia.
Resumindo: o diabo à solta na Grécia e a Espanha como Deus quer. Abaixo o radicalismo! Pelo menos o de esquerda, como é sabido, o mais perigoso de todos. Imaginem se a Espanha estivesse na mão de radicais que nacionalizassem todo o sector financeiro e não apenas os prejuízos que todos os cidadãos têm como dever suportar? Seria caos, não harmonia. O caos que há que evitar na Grécia, para que siga a sinfonia da felicidade de enriquecimentos e empobrecimentos nesta espécie de mercado. 

3 comentários:

Anónimo disse...

Na Grécia os "radicais", na Espanha os "responsáveis". Nada como andar bem informado.

Dédé disse...

Então os "ultra-ortodoxos" é que inviabilizara a coligação de esquerda? Sabe, no Ebay arranjam-se máquinas de calcular bem baratas. Nem precisa de saber somar. basta carregar nas teclas.

Filipe Tourais disse...

Use o excel, amigo, sai ainda mais barato.