terça-feira, 3 de abril de 2012

Puseram outra vez a inveja a trabalhar para eles

Quem tiver mais de 25 mil euros no banco vai deixar de poder aceder ao Rendimento Social de Inserção (RSI). Quem estiver preso preventivamente ou possuir casa, carro ou aeronave até ao mesmo valor também fica de fora. As novas regras de acesso ao RSI, que integram o amplo pacote de revisão das regras das prestações sociais apresentado ontem pelo Governo em sede de concertação social, serão inócuas em termos de efeitos práticos, mas, objectivamente, perseguem um objectivo claro: tentar denegrir e estigmatizar os beneficiários daquele apoio, que aparecem na lei como ricos donos de aviões e criminosos em potência, para depois capitalizar em aceitação a estigmatização assim gerada.
A mesma estratégia foi utilizada para a redução dos subsídios de doença, diminuídos na rentabilização da ideia de subsidiação da preguiça e de combate a uma fraude generalizada por comprovar que, a existir, se combateria com mais fiscalização e não cortando a já anteriormente parca protecção em situações de vulnerabilidade acrescida. Nesta redução da protecção na doença, destaca-se o preceito que acautela eventuais situações em que uma pessoa com baixa médica possa receber um valor superior àquele que receberia caso estivesse a trabalhar, o que, por ser impossível, nunca acontecia.
Evidentemente, o Estado não vai poupar um cêntimo com esta medida, mas, tal como nas demais do mesmo género, A ideia de que tal é possível, que fica no ar, serve na perfeição o objectivo de maximizar a aceitação da perda de direitos incluídas nas restantes, que afectam toda a gente, e a minimização das reacções da tacanhez que nela se deixa enredar. Como em episódios anteriores da nossa regressão social, os fantasmas são fabricados para servir a demagogia dos ladrões de direitos. Puseram outra vez a inveja a trabalhar para eles. E lá sairemos todos a perder outra vez enquanto sociedade.

5 comentários:

Facebook request disse...

Quem tiver mais de 25 mil euros no banco vai deixar de poder aceder ao Rendimento Social de Inserção (RSI). Quem estiver preso preventivamente ou possuir casa, carro ou aeronave até ao mesmo valor também fica de fora. As novas regras de acesso ao RSI, que integram o amplo pacote de revisão das regras das prestações sociais apresentado ontem pelo Governo em sede de concertação social, serão relativamente inócuas" em termos de efeitos práticos, mas, objectivamente, perseguem um objectivo claro: tentar denegrir e estigmatizar os beneficiários daquele apoio, que aparecem na lei como ricos donos de aviões e criminosos em potência. A mesma estratégia foi utilizada para a redução dos subsídios de doença, diminuídos na capitalização da ideia de subsidiação da preguiça e de combate a uma fraude generalizada por comprovar que, a existir, se combateria com mais fiscalização e não cortando a já anteriormente parca protecção em situações de vulnerabilidade acrescida.

UmaMaria disse...

Ó Filipe, e o que me diz do facto dos funcionários públicos não poderem vir a receber mais subsídios para o resto das suas vidas?

UmaMaria disse...

Ó Filipe, e o que me diz do corte definitivo dos subsídios para os funcionários públicos?

Filipe Tourais disse...

Digo o que disse desde o início, que a máscara de medida provisória foi a forma que arranjaram de habituar as pessoas a uma perda. é sempre assim, primeiro estranha-se e depois entranha-se. Tecnicamente, em termos meramente contabilísticos, o argumento será sempre o da impossibilidade face aos compromissos externos. Não vão aumentar o défice "só por causa da porcaria dos funcionários públicos", que até nem protestaram por aí além quando estranharam, protestarão menos ainda depois de entranharem.

Eduardo Miguel Pereira disse...

Mas o povão gosta e aplaude. E assim vamos indo a caminho da regressão total e efectiva dos direitos e garantias que tanto custaram a conquistar.
Tenho ouvido aplausos e elogios a estas medidas, a gente que pouco mais ganha que o ordenado mínimo.

Estamos perdidos, já nem forças tenho para lutar contra isto. Acho que o caminho é deixar bater no fundo, e refazermo-nos das cinzas, qual Fénix !