sexta-feira, 13 de abril de 2012

Os insustentáveis

Os especialistas do nosso enterro enquanto povo e enquanto país voltaram à carga com as teses da insustentabilidade dos nossos serviços públicos e com a imperiosa necessidade de, apesar do desemprego estar em máximos, tornarem a aumentar a idade para a reforma. É assim porque é assim, não lhes interessa escalpelizar as razões de um problema desta forma apresentado como irresolúvel. E pagamos 5, 7, 10 vezes mais em juros da dívida que os enriqueceu do que pagaríamos caso o BCE emprestasse directamente aos estados. A utilidade do parasitismo financeiro parece suplantar a utilidade do Estado social.
Continuam a cortar salários. A massa salarial diminui e, com ela, os descontos que pagam Saúde, Educação e o direito a uma velhice digna depois de uma vida inteira a trabalhar. Mascarada pelo crédito que facilitaram para esse efeito, a proporção dos salários no PIB caiu de cerca de 50% nos anos 90 para menos de 30% na actualidade. Pelo contrário, lucros e rendas, que não consomem, logo, não criam emprego, viram o seu peso aumentado na mesma proporção. E a tributação da remuneração do factor trabalho é feita a uma taxa muito superior à que é aplicada a lucros e rendas, já para não falar das grandes fortunas e do património imobiliário da Igreja, que pagam um redondo zero.
Concluindo: nem o Estado social é insustentável, nem a idade para a reforma tem que aumentar. Eles é que o querem assim. E vão consegui-lo, com toda a certeza. A menos que haja votos suficientes para fazer com que o poder mude de mãos. Está mais do que visto: agora é ou eles, ou nós. Temos que correr com eles. Tornaram-se insustentáveis para nós. Tanto quanto nós para eles. A insustentabilidade é recíproca.

6 comentários:

FB request disse...

Os especialistas do nosso enterro enquanto povo e enquanto país voltaram à carga com as teses da insustentabilidade dos nossos serviços públicos e com a imperiosa necessidade de, apesar do desemprego estar em máximos, tornar a aumentar a idade para a reforma. É assim porque é assim, não lhes interessa escalpelizar as razões de um problema desta forma apresentado como irresolúvel. E pagamos 5, 7, 10 vezes mais em juros do que pagaríamos caso o BCE emprestasse directamente aos estados. A utilidade do parasitismo financeiro parece suplantar a utilidade do Estado social. E continuam a cortar salários, a massa salarial diminui e, com ela, os descontos que pagam Saúde, Educação e o direito a uma velhice digna depois de uma vida inteira a trabalhar. Mascarada pelo crédito que facilitaram para esse efeito, a proporção dos salários no PIB caiu de cerca de 50% nos anos 90 para menos de 30% na actualidade. Pelo contrário, lucros e rendas, que não consomem, logo, não criam emprego, viram o seu peso aumentado na mesma proporção. E a tributação da remuneração do factor trabalho é feita a uma taxa muito superior à que é aplicada a lucros e rendas, já para não falar das grandes fortunas e do património imobiliário da Igreja, que pagam um redondo zero. Concluindo: nem o Estado social é insustentável, nem a idade para a reforma tem que aumentar. Eles é que o querem assim. E vão consegui-lo, com toda a certeza. A menos que haja votos suficientes para fazer com que o poder mude de mãos. Está mais do que visto: ou eles, ou nós. Temos que correr com eles. Tornaram-se insustentáveis para nós. Tanto quanto nós nos tornámos insustentáveis para eles.

Joana Lopes disse...

Filipe,
Tem aqui um recado...

Anónimo disse...

"agora é ou eles, ou nós. Temos que correr com eles."~

É uma visão muito redutora da situação. É preciso não esquecer que "eles" são a maioria da população portuguesa, que de alguma maneira beneficia dos esquemas e aproveita as migalhas. A maioria da população está satisfeita com o estado das coisas e ir contra as opções da maioria seria ir contra a democracia.

Filipe Tourais disse...

Eles são eleitos por uma maioria, que é bastante diferente, e quando chegam ao poder representam os interesses de uma minoria. A maioria tem que percebê-lo de uma vez por todas que é contra si própria que age ao permitir que esta minoria se apodere do que é da maioria. A maioria tem que correr com eles e escolher quem represente os seus interesses. É todo o contrário do ser redutor que alega. Redutor, cada vez mais redutor, é permitir que eles continuem a roubar o que é de todos em proveito próprio da classe que representam.

Anónimo disse...

Os que roubam não comem dinheiro, gastam-no em bens e serviços. O vendedor de um concessionário BMW vai querer que as coisas se mantenham como estão, o empregado de um restaurante caro idem, o motorista do secretário idem, a cabeleireira do salão chique idem, o funcionário do gabinete de advogados idem, etc etc. "Eles" representam a maioria do povo e os interesses da maioria.

Filipe Tourais disse...

Exacto, anónimo, temos toda a vantagem que continuem a roubar.