quarta-feira, 25 de abril de 2012

O Miguel Portas deixou-nos

Todas as semanas, cada Sexta-feira pela manhã, ouvia-o na rádio pública. E cada Sexta-feira, numas mais, noutras menos, notava naquele vozeirão um cansaço sintomático da doença que todos lhe conhecíamos. “Um dia destes, o Miguel deixa-nos”, pensei, numa destas Sextas, já não recordo qual, em que as sombras naquela voz eram mais notórias. O malfadado dia foi ontem. Apesar de saber que algum dia seria, recebi a notícia com enorme consternação, com a tristeza de quem vê partir alguém a quem admirava mesmo muito pela sua enorme estatura, honestidade, lealdade, coerência, visão de mundo e por toda a força que emprestou a tantas e tantas causas da causa maior que é a construção de um mundo melhor e mais justo. A morte levou-nos o Miguel. O Miguel Portas deixou-nos a sua obra e as sementes de uma esquerda grande e unida. Até sempre, grande Miguel. As minhas mais sinceras condolências à família e amigos.

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