segunda-feira, 12 de março de 2012

Uma questão de decibéis

Há um ano, uma multidão com entre 300 e 500 mil pessoas saiu à rua para protestar contra a precariedade, a degradação das condições de vida e pelo direito à esperança. Um ano depois, o desemprego, a precariedade e o custo de vida aumentaram, os salários nominais foram diminuídos administrativamente pela primeira vez em muitos anos, a emigração cresceu como nunca e a esperança ninguém sabe por onde anda. O Público coloca a questão: um ano depois, para onde foi tanta indignação? Responde o Correio da Manhã: segundo o barómetro de Março da Aximage, juntos, PSD, PS e CDS registam 75,4 por cento das intenções de voto, 6,23 vezes mais do que os 12,1 registados conjuntamente por Bloco de Esquerda e PCP. A resposta é clara: para lado nenhum. A indignação está onde sempre esteve. A experiência e as consequências das eleições que ocorreram entretanto não trouxeram novas aprendizagens. As gerações à rasca continuam alérgicas ao compromisso e à ideia de uma ruptura com um passado com quase 40 anos. Continuamos a não poder contar com eles para a mudança. A questão resume-se, afinal, a uma variação de decibéis. No ano passado, o 12 de Março calhou ao Sábado e, este ano, numa Segunda-feira. Às Segundas há menos vagar para fazer barulho.

3 comentários:

Anónimo disse...

A malta não protesta contra o sistema, mas sim contra a falta de lugares e oportunidades dentro do sistema. Não protestam contra os tachos e o banco de favores, protestam por não haver tacho para eles. Não protestam contra a corrupção. A corrupção nunca os incomodou enquanto foram sobrando migalhas para todos. Enquanto houver um encosto para a maioria ninguém se indigna com os abusos de quem está no poder, nem sequer lhes interessa o que quer que esteja a passar.
Ninguém quer romper com os últimos 40 anos, apenas querem que as coisas voltem a ser como sempre foram.

Martini Bianco disse...

E sabe porque é que isto não mudará tão cedo? Enquanto tivermos um sistema eleitoral como o que temos, só terão tempo de antena os "burros" do costume e vamos continuar a nos fartar de ver os Socrates, os Passos, os Louçãs, os Jerónimos e os Portas da nossa praça.

A Madeira que é aquela "democracia exemplar" quase que retirava a maioria absoluta ao AJJ desde que o método eleitoral mudou, de Hondt, para o Circulo Unico, o que permitiu que os partidos representados na assembleia regional passassem de 4 para 8 (mesmo assim o BE perdeu o seu unico deputado que tinha lá) e isto só significa uma melhor democracia.
Se Portugal fosse a votos com um Circulo Unico, para conseguir um deputado, ter novos partidos na assembleia, novas caras e ideias, bastariam cerca de 0.43% dos votos. Teriamos no mínimo 10 partidos representados, sangue novo na politica portuguesa, mas infelizmente este sistema está feito para serem sempre os do costume na Assembleia, logo a abstenção galopante e o descrédito no sistema político e seus respectivos "burros".

Filipe Tourais disse...

Exacto, Martini. A culpa é do sistema e os outros é que são burros. Aí está o por quê de isto não mudar, estamos de acordo.