quinta-feira, 8 de março de 2012

Terroristas

Luís Menezes, vice-presidente da bancada do PSD, acusa a Estradas de Portugal de ser o “braço armado” do anterior Governo socialista. Assim, segundo esta versão, o PS é como se fosse o Herri Batasuna e a Estradas de Portugal uma espécie de ETA. Não sei como o descobriu, mas há que dar-lhe os parabéns. Já agora, o BPN será o braço armado de quem? E a Lusoponte, a Mota-Engil, a EDP, a PT, a SOMAGUE, a JP Sá Couto, o BCP, a Ongloing, o BES, o grupo Mello, etc, etc? Está dado o pontapé de saída para uma lguerra fratricida que bem poderia culminar na ilegalização dos partidos do arco. O terrorismo anda à solta em Portugal há quase 40 anos.


Vagamente relacionado: A Iniciativa Cidadã de Auditoria à Dívida Pública (IAC) levantou hoje dúvidas sobre a escolha da consultora Ernst & Young para a realização de uma auditoria a 36 parcerias público-privadas (PPP) e 24 concessões. Para a Iniciativa Cidadã de Auditoria à Dívida Pública, esta adjudicação não assegura critérios de independência e imparcialidade. “A Ernst & Young trabalha actualmente para os grupos José de Mello Saúde, Somague e Águas de Portugal, ENDESA e IBERDROLA, entre vários outros. Estes grupos são parte interessada, isoladamente ou em consórcios, em várias das PPP e concessões sujeitas à auditoria adjudicada à Ernst & Young”, afirma a Iniciativa.

1 comentário:

Os laranjinhas estão a ficar de cabeça perdida. disse...

É oficial: bastaram oito meses para o Governo passos entrar na fase horribilis. À guerra aberta com o PR (e vice-versa), junta-se a guerra intestina, com relatos de conselhos de ministros nos jornais, frases cortantes de Gaspar para Álvaro, e ataques de nervos deste perante o desmantelamento da sua tutela, num expressivo desenho da descoordenação governamental e da ausência de uma autoridade central e aglutinadora por parte de quem tem de a ter - o PM.



Já devíamos, pois, estar preparados para o espetáculo servido esta semana sobre o caso Lusoponte, com Passos a evidenciar a sua falta de preparação e de pulso ao admitir nada saber do assunto no debate quinzenal para, a seguir, e face à insistência do BE, afirmar uma falsidade prontamente desmentida por um seu secretário de Estado nessa mesma tarde. Secretário de Estado que por sua vez teve de se desmultiplicar em explicações cada vez mais confusas quando colocado perante a evidência de que fora alertado, pela Estradas de Portugal, para o duplo pagamento à empresa e de que a própria Lusoponte considerava ser impossível, face ao contrato existente, o Estado fugir à entrega da indemnização correspondente à não cobrança de portagens mesmo que estas fossem cobradas (interpretação que o secretário de Estado acompanhou, ordenando à Estradas de Portugal que devolvesse o valor das portagens à Lusoponte).



Diz o secretário de Estado que o dinheiro arrecadado pela Lusoponte reverterá para o Estado no "acerto de contas" com a empresa que vai ter lugar no final deste mês. Pode ser assim, claro, e o Estado, ou seja nós todos, pode não ficar prejudicado financeiramente por esta baralhada (se, bem entendido, e para começar, os juros correspondentes ao valor que a Lusoponte meteu ao bolso todos estes meses reverterem para o erário público, facto sobre o qual até agora moita), mas a imagem do Governo ficou (ainda mais) irremediavelmente comprometida.



Temos um Governo que todos os dias fala em dar o exemplo e em "fazer em vez de anunciar" mas cujo exemplo, vertido neste caso, é o do mais óbvio intuito propagandístico aliado às mais lamentáveis incompetência, falta de rigor e de transparência; um Governo que ao constatar (isto na melhor das hipóteses) ter metido a pata na poça em relação ao caso das portagens tentou e tenta disfarçar o facto, em vez de assumir que quando tomou a decisão não acautelou a existência de um contrato que o obrigava (ainda de acordo com a sua interpretação) a pagar a indemnização e que está a tentar emendar o disparate. Um Governo que passa a vida a exigir sacrifício, responsabilidade e estoicismo e a propalar as virtudes da verdade, mas cujo primeiro-ministro, apanhado numa mentira no Parlamento, ainda não considerou necessário retirar disso as necessárias consequências.



Parafraseando um alegado dito de Gaspar a Santos Pereira num Conselho de Ministros, qual destas palavras, "que bela caricatura", não percebeu?