sábado, 3 de março de 2012

Roubam e gozam, gozam e roubam

Pedro Passos Coelho andou ontem muito divertido a passear pela BTL. Aceitou posar para a fotografia com quem lho pediu, elogiou a Madeira, gracejou com quem “não o levou a sério” quando roubou a tolerância do Carnaval e o seu apuradíssimo sentido de humor ainda sobrou para a ironia suprema de perguntar se porventura havia decretado o fim das férias que se prepara para encurtar em três dias.


Uma jornalista perguntou se pensa que os portugueses vão conseguir tirar férias este ano. “Então a senhora acha que o Governo ia decretar que não houvesse férias?”, reagiu Passos Coelho. Alguém insistiu Interrogando-o sobre como é que os portugueses irão fazer férias, com que dinheiro. Respondeu: “Fazendo uma boa aplicação dos recursos que têm [têm?], como é evidente. [é?] Quando há menos, tem de se gastar menos, quando há mais tem de se pensar em ficar com algum de lado para os tempos em que há menos. É isso que eu espero que os portugueses também possam fazer”. Fica demonstrado como ainda há ladrões bonzinhos que roubam e depois se preocupam com as suas vítimas, tendo o cuidado de aconselhá-las sobre a melhor forma de gerir o que fazem o favor de não lhes roubar. Roubam e gozam.


Gozam e roubam. O Estado dava uma indemnização compensatória à Lusoponte por não haver cobrança de portagem na ponte 25 de Abril durante o mês de Agosto. Em 2011, o Governo decretou que passasse a haver cobrança e a Lusoponte arrecadou o dinheiro. Apesar disso, o Governo mandou dar 4,4 milhões de euros à empresa presidida por Joaquim Ferreira do Amaral, ex-ministro de Cavaco Silva, como se tivesse continuado a haver isenção de portagem. A Lusoponte passou a ter direito a subsídio de férias.


Vagamente relacionado: a ministra da Justiça anunciou que é sua intenção promover uma “reforma estrutural necessária” que obriga os comerciantes a fazerem uma acusação particular – a pagar a um advogado que interponha a acção e a suportar os 102 euros das custas respectivas – se quiserem punir os autores de pequenos furtos nos seus estabelecimentos. A “reforma estrutural necessária” em causa é a igualdade de direitos entre pequenos e grandes ladrões já abrangidos pelas 5341 prescrições nos últimos três anos, média de quase 5 prescrições ao dia e apenas um total de 7 processos disciplinares levantados aos profissionais da gaveta que prestam este serviço à ladroagem. O número é a medida de todo o reconhecimento e gratidão da subclasse de ladrões que têm o poder de mandar na Justiça.


Ainda mais vagamente: a FCM - Fundação para as Comunicações Móveis, celebrizada como Fundação do Magalhães, afinal, não foi extinta.

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