quarta-feira, 14 de março de 2012

Os outros é que eram comunistas, não era?

Portugal, logo a seguir a Espanha, é um dos países em que os salários dos professores são mais altos quando comparados com os de outros profissionais com qualificação académica semelhante, diz um estudo da OCDE. Não há nenhum estudo, nem fundamentação possível assim a papo seco, que possa sustentar a ideia de que devam ganhar menos. Para além disso, abstraindo-nos da existência de juízes, médicos, engenheiros e tantas outras profissões melhor remuneradas e admitindo como verdadeiras estas conclusões, com tantos licenciados a trabalhar como caixas de supermercado e em outras profissões que não exigem estudos superiores, não surpreenderá que os professores ganhem acima da sua média.


Porventura, pôr-se-ia a questão de como equilibrar a coisa de forma justa. Alguns mais afoitos dirão que há que cortar nos salários dos professores. Cortar está na moda e o desmantelamento do ensino público está em marcha: estes estudos não caiem assim do céu por acaso. Outros dirão que os salários destes profissionais com habilitações superiores que ganham mal é que deveriam subir. Aqui já estarei mais de acordo, deveríamos valorizar mais o conhecimento, mas como os professores também não ganham grande coisa, o ideal mesmo seria ver os salários de ambos a aproximarem-se dos dos seus colegas dos outros países do tal estudo. Para se aproximarem da média, teriam que subir mesmo muito.


Mas rebobinemos. Escrevi atrás que eventualmente poderia estudar-se uma forma de reequilibrar a discrepância identificada pela OCDE. Cá estamos nós novamente a chocar de frente com aquele igualitarismo pelo mínimo que era característica das economias do Leste europeu. É agora um objectivo cada vez mais declarado deste capitalismo selvagem e globalizado. Existem bastantes mais semelhanças.


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4 comentários:

Luis Moreira disse...

E rebobinando...os professores sempre ganham mais...

Filipe Tourais disse...

E rebobinando ainda mais, quem ganha mais sempre ganha mais do que quem ganha menos.

Anónimo disse...

Mas quais professores? Entre o topo de carreira atual- maior índice- e a base da carreira, assim como os contratados- a diferença é abissal. Há realmente alguns que estão muito bem pagos- os que se preparam para a reforma- muitos que devem andar ali pelos 1300 a 1500 brutos e cerca de 25% de contratados que, no MÁXIMO, ganham cerca de 1110 líquidos, incluindo o subsídio de refeição.
Agora que é um facto que há uma geração de professores - que estão entre os 50 e os 60 anos- que beneficiou de uma conjuntura que para a realidade do momento se configura quase obscena, isso é verdade..Estatisticamente, há um núcleo de professores a comerem 4 frangos e o resto anda a comer 1 frango. Já se percebe a ideia..
Jake

Filipe Tourais disse...

Mas qual obsceno. Obsceno é a vossa inveja dizer o que acaba de dizer. Também defende o alinhamento pelo mínimo. Vocês decidam lá o que querem. Anda para aí muito comunismo recalcado, parece-me.