quinta-feira, 15 de março de 2012

Obrigado, obrigadinho, muito, muito obrigado, obrigado.

O Governo anunciou esta quinta-feira, ao final de uma reunião de Conselho de Ministros, que durante o ano de 2012 a única tolerância de ponto será no dia 24 de Dezembro, Segunda-feira. Um dia de tolerância e era uma vez um subsídio de férias, um subsídio de Natal, carreiras congeladas, salários reais comidos por uma inflação superior a 3 por cento e um corte salarial entre 5 e 10 por cento para vencimentos superiores a 1500 euros. Os funcionários públicos têm obrigação de agradecer tanta generosidade.

4 comentários:

Anónimo disse...

Eu tenho uma pensão de 374 euros. Não me retiraram feriados, tolerâncias de ponto, subsídio de férias nem de natal. A minha carreira de pensionista por invalidez sempre esteve congelada e não levei corte nem de 5% nem de 10% no salário. Dos factores enumerados ó a inflação me atinge, mas quem me dera ser atingido por um, vários ou todos os outros.
Queixam-se de barriga cheia.

Filipe Tourais disse...

Estou a perceber. O anónimo sentir-se-ia feliz por ver todos os seus compatriotas a viver as mesmas dificuldades que, não tenho dúvidas, enfrenta todos os meses. Pois, olhe, eu gostava de vê-lo a ter uma pensão decente. E gostaria que reparasse que quanto mais cortam aos outros, mais longe fica desse limiar de decência a que todos temos direito. É que a sua pensão de reforma vem dos impostos e, maioritariamente, estes vêm dos salários. Pense nisso. A pobreza já é demasiado má para que ainda lhe seja somada pobreza de espírito.

Anónimo disse...

"E gostaria que reparasse que quanto mais cortam aos outros, mais longe fica desse limiar de decência a que todos temos direito. É que a sua pensão de reforma vem dos impostos "

Independentemente de haver ou não justiça nos cortes, a pobreza de espírito que refere também se manifesta na forma de afirmações contraditórias, como sugerir que cortar a uns na forma de impostos provoca um défice de impostos para dar a outros

Filipe Tourais disse...

Não vejo onde está a contradição. Impostos é diferente de roubo. Os salários que lhe agradou fossem cortados desapareceram pura e simplesmente, à margem de qualquer lógica tributária. Para além disso, ainda que o roubo tivesse sido obtido através de um imposto, que, como sabe, à luz da Constituição não pode ser selectivo e visar apenas um grupo socio-rpofissional determinado, a receita que o Estado obteria serviria para pagar juros a um sector financeiro que precisa muito menos de dinheiro do que o amigo ou de todos os funcionários públicos que foram roubados. Rejubilar com isto é um mero exercício de pobreza de espírito, já que a outra continua a aumentar.
Só mais uma coisa: fica tão contente com o roubo dos funcionários públicos como com o outro roubo a todos nós que pagamos o salário daqueles senhores administradores excepcionados do sacrifício geral.