sexta-feira, 2 de março de 2012

Nasceu a União Alemã da austeridade e da finança (IV Reich)


Na vez da regra que se impunha, políticas de crescimento, medidas de protecção às produções de países da UE em dificuldades e um BCE a emprestar directamente aos estados membros sem intermediação do sector financeiro, o novo Tratado orçamental acabou de ser assinado pelos líderes de 25 países da União Europeia (UE), que se comprometem, assim, a satisfazer a senhora Merkel e as suas exigências quanto a regras cada vez mais apertadas de disciplina orçamental, incluindo a sua “regra de ouro” que proíbe défices orçamentais superiores a 0,5% do PIB. A austeridade acaba de tornar-se para todo o sempre, até à revogação deste disparate de dimensões históricas, a política oficial da União Alemã. Em vez de serviços públicos e qualidade de vida, passaremos oficialmente a trabalhar para pagar juros agiotas e para o crescimento dos países do centro, em especial da Alemanha.


No que nos diz directamente respeito, com a economia portuguesa a desfazer-se em cacos, Passos Coelho, tal como Sócrates o fez durante seis anos, voltou a ajoelhar-se: assinou a rendição incondicional ao ocupante externo sem esboçar sequer um ai. Negociar, para os nossos governantes, continua a ser assinar de cruz sem exigir contrapartidas. Os meninos bonitos sabem que o poder não foge. As sondagens insistem em mostrar-lhes que não têm nada a temer. Os portugueses estão satisfeitos com o que têm e não encontram melhor. Angela Merkel refere-se a nós como um povo preguiçoso. E, até prova em contrário, quanto a arriscar e a querer mudar de vida, o nobre povo teima em dar-lhe toda a razão.


Vagamente relacionado: Cada euro que a Alemanha paga para os fundos de coesão gera 1,25 euros em receitas de exportações para a Polónia, República Checa, Eslováquia e Hungria, apurou um estudo feito pelo Ministério polaco do Desenvolvimento Regional, em cooperação com os outros três Estados. Em média, cada euro da UE investido nos 15 Estados-membros antes da sua expansão em 2004 gerava exportações de 0,61 euros, concluiu o estudo, que incide sobre o período entre 2004 e 2015.

2 comentários:

Bruno Santos Ribeiro disse...

Porque é que em vez de se olhar para a Alemanha como um pais-papão nao se olha como pais-exemplo? A crise actual portuguesa foi culpa deles ou culpa dos erros que nos fomos acumulando ao longo dos anos? Paremos sempre de deitar culpa nos outros como é nossa tradição. Nao deixa de ter razao no que toca à austeridade a mais mas se as coisas fossem feitas como deviam ter sido nao tinhamos agora de aturar os alemães. Era bom que aprendessemos com a organização deles e a disciplina.

Filipe Tourais disse...

Basta olhar para quem lucrou mais ao longo destes anos com o tipo de integração europeia que foi desenvolvido para que o termo empregue pelo Bruno, "papão", ganhe todo o sentido. Basta olhar para o que estamos a fazer, o que sempre fizemos, fazer o que nos mandam, para verificar que não estamos a aprender nada. Basta olhar para o que a Alemanha não quer, o BCE a financiar directamente os estados, para voltarmos a ver o papão: teríamos superavit horçamental se assim fosse, basta ver quanto custa o serviço da dívida. Olhando para o orçamento europeu que a Alemanha não quer, voltamos a ver um espartilho ao nosso crescimento recebido alegremente e sem contestação. Já sei que há a teoria do castigo que agora temos que sofrer. Mas olhe lá quem se encheu ao longo destes anos se está a sofrer alguma coisa.