quarta-feira, 14 de março de 2012

Memórias de um criminoso

Salazar vai ser marca registada, alegadamente para potenciar a economia do concelho que viu nascer o antigo ditador, Santa Comba Dão, e um dos primeiros produtos com esse cunho será o vinho “Memórias de Salazar”. Espero que mais esta tentativa de revisionismo histórico de meio século de crimes da responsabilidade deste assassino não passe da fase de projecto.
A menos que o “memórias de Salazar” tenha propriedades que provoquem uma fome atroz generalizada às redondezas, uma forte sensação de opressão e privação da liberdade, medo de perseguição política, medo de ser mandado morrer na guerra em África ou ir parar ao Tarrafal ou a Peniche e que quem o prove se sinta um miserável de pés descalços condenado a uma existência servil. Para reavivar as memórias de Salazar haveria também que fazer recordar a hoje demasiadamente esquecida lei do condicionamento industrial, responsável pela fortuna da oligarquia da situação de então, pela miséria da restante população e pelo atraso estrutural que, embora tenha sido atenuado ao longo destes anos após o 25 de Abril, perdura até aos dias de hoje. Se o “memórias de Salazar” não fizer recordar pelo menos isto, é fraude. E há tanto mais a recordar, quer para que não se repita, quer por respeito às muitíssimas vítimas e aos heróis que por todos nós lutaram contra o regime daquele criminoso que hoje querem reabilitar.

2 comentários:

BRUXA disse...

Só falta a Merkel dar o nome de Hitler a alguma cerveja nova...
Portugal no seu melhor! Uma vergonha!

Sentada na ponta da lua disse...

Pois... nem me venham falar de Salazar, ditaduras e afins... ultimamente tenho entrado em conflitos com mais pessoas que as que gostaria por defenderem o regresso à ditadura e ao tempo de Salazar (pessoas que viveram esse periódo e pesssoas da minha geração)!

Miriel