sexta-feira, 9 de março de 2012

Mais de mil milhões de euros depois

Quatro de cinco membros do conselho de administração da Parque Escolar apresentaram na tarde desta sexta-feira a renúncia aos cargos ao ministro da Educação e Ciência, informou o Ministério, sem, contudo, dar qualquer explicação sobre a opção de Nuno Crato de manter esta gente em funções depois de conhecer os últimos relatórios da Inspecção Geral de Finanças, já concluído, e do Tribunal de Contas, este último em fase de conclusão mas do qual, tal como do primeiro, já transpiraram motivos mais do que suficientes para justificarem a decisão que o senhor Ministro não quis tomar. Seria interessante saber por que razão. Talvez sejam os mesmos motivos que o impelem a manter em funções a Direcção de Comunicação e Imagem da empresa, que anualmente se faz pagar mais de 130 mil euros pelo mui nobre serviço de apoiar o Conselho de Administração em eventos sociais.


A Parque Escolar é um elefante branco herdado da governação Sócrates, realmente é, mas é difícil crer que o defunto também tenha levado consigo todas as canetas que são utilizadas no Ministério da Educação para assinar demissões. Aliás, sabendo que, necessárias ou não, urgentes ou não, as obras de requalificação das escolas portuguesas, algumas tão degradadas, foram suspensas. A caneta que assinou os despachos respectivos há-de ter um defeito de fabrico que a faz tremer quando pressente que vai pôr um fim às boas vidas que os impostos, taxas, subsídios de férias e de Natal e todo o mais que é extorquido aos portugueses proporciona à camarilha das festas.


Já sei. "O amigo revela competências insuficientes e ausência de conhecimentos básicos sobre a disciplina das canetas e todas as problemáticas que lhe são conexas". Seja. Qualquer dia inscrevo-me numa formação. Por agora, atalhemos para o que interessa: apodrecer, descredibilizar, semear a ideia de que tem associados custos tão inevitáveis como incomportáveis. Muitos parabéns. Assim se destrói a Escola Pública.


Actualização: na versão oficial, posta a circular no dia seguinte, lia-se que “Relatório da Inspecção-Geral de Finanças confirma derrapagem da empresa. Ministro ia demitir ontem os seus administradores, mas estes optaram por renunciar aos cargos”. Mas Nuno Crato já tinha o relatório há uns tempos. Quanto à comissão de festas, nem uma palavra. No texto preferiu voltar a insistir-se na excessiva qualidade dos materiais empregues na requalificação de escolas destinadas ao ensino de alunos prtencentes às classes mais pobres. É um artigo certeiro. Os pais destas crianças são os que costumam revoltar-se mais com notícias que exploram o tema “esbanjamentos” do Estado na Educação dos filhos de pobres/projectos de rico.

3 comentários:

Anónimo disse...

Fala-se em onze mil euros gastos por cada aluno. Isto para mim são valores alucinantes, esbanjamento de dinheiro em mero material... não há este tipo de investimento em recursos humanos nem com vista à redução do número de alunos por sala. Os senhores gestores lá se demitiram com bastante dinheiro desviado para os respectivos bolsos e os amigos empreiteiros também agradecem! Estamos ao nível de um país do terceiro mundo! Mas isso também já não é novidade para ninguém.

Filipe Tourais disse...

Não me parece que 11 mil por aluno seja muito, até porque este investimento é a 30 ou 40 anos. O problema não estará bem aíe sim nesses 11 mil euros terem pago material que custaria muito menos caso tivessem sido seguidos os procedimentos que a lei manda e não o ajuste directo que adoptaram como padrão.

Anónimo disse...

Como é que isto tudo funciona?
O Estado vende o património imobiliário à ESTAMO em adjudicação direta pois, sendo esta uma empresa de capitais exclusivamente públicos, não é obrigada a efetuar qualquer concurso.
A partir desse momento o património público torna-se “património privado” detido por uma empresa privada de capitais públicos e pode ser negociado por qualquer valor, a quem entenderem e da forma que quiserem. Não existe nunca qualquer ilícito criminal.
Uma empresa privada não pode ser obrigada a vender o que quer que seja de uma determinada forma e por um determinado valor. Nesse sentido, e protegidos pela própria lei, a PARPUBLICA negoceia o que quer, da forma que entende, sem incorrer em qualquer ilícito.
No que diz respeito à venda do património do Estado, com um montante apurado de 1,3 mil milhões de euros, vários têm sido os processos, alguns já devidamente noticiados, em que esta empresa tem lesado os interesses do Estado, não acautelando o valor potencial dos imóveis e beneficiando assim terceiros.



Tudo isto se passa com o conhecimento de todos os nossos governantes, atuais e antigos, há mais de uma década, e com o conhecimento de todas as forças políticas com assento parlamentar. Bloco e PCP fizeram o que podiam com os poucos deputados que os portugueses quiseram que tivessem.
Em 2013, conforme comunicado do Governo, após as privatizações, esta empresa será extinta e desta forma perderemos o rasto às suas “negociatas” e procederemos ao branqueamento das eventuais responsabilidades dos seus administradores. O COSTUME NUM PAÍS QUE SE ABSTEM DE VOTAR.