sexta-feira, 9 de março de 2012

Era uma vez mais um roubo

A Direcção-Geral da Concorrência (DGC) da União Europeia tornou pública a sua decisão de não aprovar o negócio do BPN caso o Governo português insista em conceder uma linha de liquidez de 300 milhões de euros a custo zero ao luso-angolano BIC, como está previsto no contrato de compra e venda.


Boa notícia. Contudo, deixa de ser tão boa a partir daqui. É que Bruxelas exige a aplicação de uma taxa de juro de apenas 300 pontos base (3%), bastante abaixo da taxa que os contribuintes portugueses pagam pela obtenção de liquidez pelo Estado português e, sublinhe-se o paradoxo, o triplo daquela que o BIC pagaria ao financiar-se junto do Banco Central Europeu, uma possibilidade que está ao seu alcance mas que é negada aos estados membros da UE.


Porém, a partir de agora, a coisa só pode melhorar. Excluindo a hipótese de uma renegociação dos já ridículos 40 milhões que o BIC ficou de pagar por um banco completamente livre de dívidas e proprietário de 233 balcões para um valor ainda mais escandaloso, das duas, uma: ou rejeita e saímos todos a ganhar pela não concretização de um negócio tão escabrosamente lesivo do interesse público, ou aceita-o mesmo nestas condições.


E repare-se como, neste último cenário , quem fica em muito maus lençóis é o Governo. Serão necessárias explicações mesmo muito boas para convencer que não se tratou de nova tentativa descarada de fazer um favor à ladroagem. Se o BIC aceitar pagar estes 3%, que, ainda assim, é uma taxa que nos prejudica, por que raio é que o Governo não conseguiu negociá-lo logo de início? As respostas possíveis vão desde a inabilidade e incompetência pura e dura até à sobejamente conhecida preferência pelo constante alargamento do caudal do rio que corre do bolso de cada contribuinte para as fortunas de Isabel dos Santos, Américo Amorim e restantes preocupações sociais de Pedro Passos Coelho e seus rapaces. Isto promete animar.


Vagamente relacionado (necrofagia): o lucro da RTP cresceu 26 por cento no ano passado, face a 2010, para 18,9 milhões de euros, anunciou hoje o presidente da empresa. Os abutres têm-na debaixo de olho.

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