segunda-feira, 19 de março de 2012

Da preocupação e do não fazer nada

Um dos inúmeros aspectos que distingue um governante de um cidadão comum é o poder que detém para tentar reverter o rumo de acontecimentos que sejam alvo da sua preocupação. É o caso do aumento do preço dos combustíveis. O cidadão comum preocupa-se, mas não pode fazer nada mais do que pagar. O Primeiro Ministro diz que está preocupado, mas não quer fazer mais nada do que expressá-lo. E tanto podia como devia intervir. Bom ou mau, não interessa agora, Alberto João Jardim fê-lo. Fixou administrativamente um limite máximo para o preço dos combustíveis na Região Autónoma da Madeira. E não é que resultou mesmo? Os combustíveis, que ninguém se recusou continuar a vender, deixaram de subir ao sabor da gula das companhias que financiam as despesas de funcionamento do dito "regulador", que curiosamente também anda preocupadíssimo desde a liberalização dos preços no sector.

6 comentários:

Anónimo disse...

Certamente o PM ainda não se aconselhou com os ministros no sentido de procurar uma solução para o problema. Se tivesse conversado com a ministra da agricultura por certo ela já lhe teria dado a receita: Reze, senhor PM.
Ou então que se aconselhe com a oposição. Louçã aconselharia o PM a taxar fortemente a banca e as grandes empresas. Rápidamente todo o capital seria deslocalizado para a Holanda, o investimento cairia ainda mais a pique, o que sobrasse do dinheiro da troika seria aplicado no aumento dos salários dos funcionários públicos e num instante não haveria dinheiro para mandar cantar um cego.
Não haveria dinheiro para importar petróleo nem derivados e passaríamos todos a andar de bicicleta. Seria tal e qual como na Holanda, com a diferença que as nossas empresas estariam todas a pagar impostos lá e as deles não estariam cá.

Filipe Tourais disse...

Ou não, caro anónimo. A banca é actualmente um sector subsidiado que ainda por cima se demonstra ineficaz na sua função de fornecer crédito à economia. Só teríamos a ganhar em nacionalizá-la.

Anónimo disse...

Nacionalizá-la, concordo plenamente. Aliás, sou a favor da nacionalização de todos os sectores estratégicos e monopólios naturais.
Já aplicar impostos ao grande capital e às grandes fortunas considero uma idéia utópica e infantil, isso só afugentaria todo o capital para fora de portugal e deixar-nos-ía na penúria.

Filipe Tourais disse...

Não percebo por quê. Há países onde são tributadas as grandes fortunas e não fogem. Depois, fala em tributar o sector financeiro quando actualmente estamos é a pagar para cá tê-los a explorar o rectângulo. Também não fugiriam, como não fogem em outros países onde o regime fiscal é o mesmo das outras empresas e sectores. Cá nem chega a metade Uma mercearia de bairro é tributada em IRC ao dobro da taxa que é aplicada à banca e sem os benefícios fiscais desta.
Finalmente, para que queremos nós as fortunas se não as tributamos? Quem fica na penúria é quem é tributado na sua vez.

Anónimo disse...

Não tributamos as fortunas mas quem por cá tem dinheiro vai consumindo serviços e produtos em Portugal, e indirectamente vai contribuindo para a colecta de impostos e para criar alguns empregos. Para não falar no investimento, tanto nacional como estrangeiro.
A única maneira de nivelar todos por igual é na miséria. É a famosa tragédia dos comuns.

Filipe Tourais disse...

É, mas se as fortunas fossem tributadas, os rendimentos mais baixos poderiam ser aliviados da carga fiscal. Como saberá, os rendimentos mais baixos têm uma propensão marginal ao consumo superior e esta decresce à medida que o rendimento sobe. Para além da questão da justiça e da equidade fiscais, também por aqui se justifica tributá-lás. Quanto a fugirem, isso é fábula difundida sabemos todos muito bem por quem.