quinta-feira, 1 de março de 2012

Custe o que custar

Custe o que custar, diz a cambada. A factura de Janeiro chegou hoje. Ficam a dever ao país mais 0,8 por cento só em desemprego, porque por detrás do novo recorde de sempre, 14,8 por cento, há uma realidade de uma economia em colapso, com empresas a fechar todos os dias, e a agonia social de um povo sem trabalho, com fome e sem esperança. O desemprego está a aumentar a um ritmo alucinante de 0,8 por cento ao mês. O solavanco que foi hoje tornado público é sensivelmente igual ao verificado no mês anterior. Faltam apenas 0,2 por cento para que a taxa de desemprego atinja a previsão para Dezembro assumida por Vítor Gaspar há apenas dois dias. Sendo suficientemente optimistas para recusar a hipótese de que o ritmo venha a acelerar ainda mais, é impossível não ver que bastará que continue a crescer como tem crescido para chegarmos ao final do ano com uma taxa de desemprego nuns inimagináveis 21,6 por cento (*). Um autêntico genocídio económico e social. Será importante recordá-lo: quando chegou ao poder, a cambada encontrou um país com uma taxa de desemprego de 11,4 por cento. Custe o que custar, dizem eles. Está a custar mesmo muito.


(*) Atendendo ao crescimento médio verificado em 7 meses, 0,49 por cento, e assumindo que é este o valor médio mensal de crescimento da taxa, novamente afastando o cenário de que venha a acelerar, chegaremos a Dezembro com uma taxa de desemprego de 20,2 por cento.

(editado)

6 comentários:

Zeca Galo disse...

Notícia: "Trata-se de uma nova subida mensal face aos 14,6% agora registados para Dezembro"
Comentário no PB: "O desemprego está a aumentar a um ritmo alucinante de 0,8 por cento ao mês"
Uma subida mensal de 0,2% foi transformada em 0,8% e ainda conseguiu antecipar 21,6% até ao final do ano quando a este ritmo seria de 17%.
E ainda dizem que os políticos de direita manipulam os números e são mentirosos.

Filipe Tourais disse...

Leia lá: os dados do Eurostat diferem dos do INE, que é quem fornece a informação de base, que é calibrada também com informação do IEFP. Além disso, enquanto o INE calcula apenas taxas trimestrais o Eurostat avança com valores mês a mês – que são por isso frequentemente sujeitos a revisão em função dos dados que o INE depois divulga.

Ainda no final de Janeiro, o Eurostat tinha avançado com taxas de desemprego em Portugal de 12,6% em Agosto, 12,8% em Setembro, 13,0% em Outubro, 13,2% em Novembro e 13,6% em Dezembro, corrigidos dos efeitos de sazonalidade. Estes valores foram agora revistos em alta, para respectivamente 12,7%, 13,0%, 13,6%, 14% e 14,6%, acompanhando o salto registado pelo INE e reflectindo a tendência de subida detectada. (notícia)

Tive o cuidado de escrever que a projecção foi feita com base em apenas dois aumentos de 0,8 por cento e afastando a hipótese de aceleração. É verdade, os números trabalham-se, o Governo também o faz. Varia o pressuposto. E olhe que se ler posts antigos vai verificar que, apesar de não ter nenhuma bola de cristal, não me tenho enganado muito.

Filipe Tourais disse...

Coloquei no post uma projecção baseada no valor médio mensal dos primeiros 7 meses de governação laranja que me dei ao trabalho de fazer. Veja que o valor não é muito diferente. É cataclismo à mesma.

Zeca Galo disse...

A notícia refere uma revisão em alta ao longo de todos os valores desde Agosto, mas em nenhum caso uma variação mensal de 0,8%. O que refere é uma variação bi-mensal recente de 0,8% com tendência a desacelerar fortemente(+0,6% em Dezembro e +0,2% em Janeiro). Isto não muda o facto de os números serem dramáticos, mas por mais voltas que dê ao texto não há outra interpretação lógica e séria.

Filipe Tourais disse...

Seja. A sua, porque é sua, é séria e a minha, porque é minha e porque não coincide com a sua, não é séria. Olhe, a úníca coisa que podemos fazer é esperar para ver quem tem razão. Duvido, mas espero sinceramente que seja o meu amigo e não eu a tê-la.

Zeca Galo disse...

Penso que agora estamos de acordo e ambos de alguma maneira satisfeitos com o menor dos males