sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Se houvesse corrupção em Portugal


O Presidente alemão, Christian Wulff, acaba de apresentar a demissão do cargo, por causa do seu envolvimento num caso de corrupção relacionado com a obttenção de juros de favor num empréstimo bancário. Ainda bem que em Portugal não temos corrupção, que senão Cavaco Silva teria apresentado a sua demissão em plena campanha eleitoral assim que rebentou o escândalo Quinta da Coelha. Ou até antes, em pleno mandato, pelo envolvimento no banquete BPN. Mas acabou reeleito. É também por isto que nos chamam preguiçosos. Deixamo-las acontecer, por mais escandalosas que sejam. Os corruptos e incompetentes contam com a abstenção e com uma indiferença que insiste em repetir que "eles são todos iguais" para se fazerem eleger.


Não é por acaso que, em países a sério, onde o povo não despreza a utilização do voto, o mais ligeiro indício de corrupção tem como consequência quase automática uma demissão. É que estas coisas pagam-se caro. Nas urnas de voto. Nós temos BPn e temos PSD, temos auto-estradas em PPP a juros agiotas e sem risco para o "parceiro" privado e temos PS, temos submarinos e temos CDS, que é para não dar mais exemplos. E temos uma auditoria à dívida que revelaria quem pagou quanto e a quem, que está por fazer. O que nos dizem as sondagens é que, se as eleições fossem hoje, apesar de tudo isto e apesar da calamidade que varre o país, ganhariam precisamente os mesmos três de sempre. Os suspeitos são aqueles que os questionam. Somos um povo mesmo porreiro.


Vagamente relacionado: o ex-ministro dos Governos de Sócrates Luís Amado será o novo presidente do conselho de administração do BANIF.

3 comentários:

Eduardo Miguel Pereira disse...

Voto (ou sufrágio) Universal :

consiste na extensão do sufrágio, ou o direito de voto, a todos os indivíduos considerados intelectualmente maduros (em geral os adultos).

O que está mal não é termos Voto Universal, o que está mal é considerarmos que qualquer adulto é, sem qualquer teste comprovativo, intelectualmente maduro.

Quando se quer conduzir um automóvel, tira-se a carta de condução, que é a forma de atestar a nossa capacidade para conduzir.

O mesmo devia acontecer para se poder votar.

Lambreta disse...

A propósito..."o português é suave, felizmente para os espertos" in arrastão.
Creio que o problema é genético, o nosso chico-espertismo, ou lá como se escreve...o fulano que foge aos impostos, que engana o outro é que é porreiro...a generalidade de nós, portugueses, gostava de ser como ele...infelicidade a nossa...
É só uma ideia..

Filipe Tourais disse...

Esse caminho seria perigoso, Miguel. Basta pensar que não há critérios objectivos possíveis. Conheço demasiados licenciados e até com graus académicos superiores que me alimentam fortes suspeitas de terem um atraso mental. Esse caminho conduz-nos forçosamente à existência de um qualquer organismo que daria o visto à licença para votar. Seria fácil controlá-lo, parece-me. Seria pior a emenda do que o soneto.