segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Portugal não é a Itália

Chamo a vossa atenção para esta notícia. Não pelo caso em si, de uma cidadã italiana que burlou o Estado e, muito bem, será agora julgada. Destaco-a por ter acontecido numa Europa que nunca chegámos a conhecer; pelo montante envolvido: uma pensão de invalidez de 235 mil euros recebidos ao longo de 8 anos, o que dá cerca de 2500 euros mensais. Se o caso se tivesse passado em Portugal, estaríamos a falar de uma quantia a rondar os 22500 euros em 8 anos. A diferença é de 1 para 11.


200 e poucos euros mensais, que é o que a generosidade da nossa sociedade está disposta a despender na protecção de quem se veja privado de um sentido que lhe retire a capacidade para o exercício da sua profissão demasiadamente cedo para poder aposentar-se com direito a uma reforma, se não chegam para viver, muito menos chegam para fazer sequer uma notícia. Mas sobram para que haja muita gente para aí a dizer que temos um Estado social "acima das nossas possibilidades". Há os que promovem a confusão e há os que se deixam confundir. O certo é que, apesar de ínfima, se confunde protecção social com auto-estradas, delinquência banqueira ou negócios submarinos. É para isso e para pagar juros agiotas que servem os nossos impostos. Quem tenha um azar, está por sua conta e risco, como em qualquer sociedade hoje vendida como "avançada". Cada um por si, que é como quem diz enquanto servir. Quando deixar de servir, também não há-de vir grande mal ao mundo.


Vagamente relacionado: o Governo vendeu o Banco Português de Negócios (BPN), afundado em mais de 5 mil milhões por Dias Loureiro e Oliveira e Costa (PSD), ao luso-angolano BIC Portugal, de Isabel dos Santos e representado por Mira Amaral (PSD), por 40 milhões de euros, sem ter na sua posse, como a lei exigia, o parecer da Comissão de Acompanhamento das Reprivatizações, que sobre esta operação nunca foi consultada. A venda, feita à margem da lei, poderá (poderá, mera hipótese académica) ser impugnada.




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