segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Por onde anda o dinheiro da troika?

A Roche Farmacêutica anunciou que interrompe hoje as vendas a crédito a 23 hospitais públicos com dívidas há mais de 500 dias. Em causa fica principalmente o fornecimento de medicamentos de última geração para o tratamento de doenças oncológicas. O laboratório lembra que os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) acumulam neste momento dívidas "superiores a 135 milhões de euros”, além de juros de mora no valor de seis milhões de euros, e um atraso médio no pagamento superior a 420 dias, mas que, em alguns casos, ultrapassam já os 1000 dias. A versão oficial do Governo é que nos têm a pão e laranjas porque houve necessidade de obter um financiamento externo que permitiria pagar dívidas como estas. Para onde foi o dinheiro? Paulo Macedo é o protótipo da competência e do rigor concentradas numa pessoa só. E estamos a pagar juros agiotas à troika e, ao mesmo tempo, a pagar juros de mora pelas dívidas que aqueles milhões não pagaram. Para além disso, agora, porque não pagaram, haverá doentes que pagarão com a vida a falta dos medicamentos que, em muitos casos, são a diferença entre viver e morrer. Não existe prioridade maior do que esta. Que apareça o dinheiro. E já.


Vagamente relacionado: Um artigo publicado na edição de quinta-feira, 17 de Novembro de 2011, do jornal «Eleftherotypia» refere que na Grécia os centros de acolhimento de doentes oncológicos de Pilea (Salónica) e de Peania (Ática) continuam a não funcionar e que por essa razão os cidadãos têm de se alojar em clínicas privadas, o que acarreta encargos financeiros para as caixas de segurança social já muito sobrecarregadas. Refere ainda que a Associação dos Doentes Oncológicos da Grécia tenciona recorrer ao Tribunal Europeu, dado que o centro de acolhimento de Pilea foi construído com recursos do QCA III.

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