quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Por falar em democracia

Temos testemunhado como os nossos governantes e sua imprensa satélite vendem aos seus públicos os ladrões do povo angolano como idóneos investidores com os quais estabelecemos parcerias muito vantajosas para Portugal, como é o caso da venda por 40 milhões de um BPN arruinado em mais de 5 mil milhões por figuras de proa do principal partido do Governo, uma conta que haveremos de pagar por décadas. Desta vez não foi um jornalista da rádio pública a comentar este relacionamento vergonhoso entre um país com tradições na defesa intransigente dos direitos humanos e um regime cleptocrático ao qual Portugal parece ser o único país europeu que não questiona a proveniência de tanto dinheiro. Foi o presidente do Parlamento Europeu, que, como tal, não pode ser afastado como um qualquer precário que ouse manifestar opiniões próprias.


«O alemão Martin Schulz criticou o facto de Portugal estar a pedir investimentos angolanos, considerando que, assim, “o futuro de Portugal é o declínio”.(…) Porque não defendemos o nosso Estado de direito, e o modelo dos direitos do homem, e uma crescente capacidade económica, para desafiar, não só do ponto de vista económico, mas também de democracia política? (...) Se não tomarmos rapidamente esta decisão, a Europa tornar-se-á irrelevante”.


Como está a tornar-se, e por ter-se esquecido dos valores que estiveram na sua génese. Martin Schulz estaria também a falar da ocupação franco-alemã e da imposição da sua agenda política que está a empurrar países como Portugal para um retrocesso social, económico e civilizacional que demorará muitas décadas a recuperar. Oxalá tivesse sido mais explícito quer quanto a esta humilhação, quer quanto à forma servil como aqueles que se ajoelham diante da quadrilha dos Santos o fazem com entusiasmo redobrado diante dos interesses representados pelo monstro bicéfalo Merkozy. É bom não esquecer que, como sustenta Ana Gomes, a ocupação impõe privatizações que tornam necessários os negócios que são alvo de crítica. Mas Schulz foi bastante explícito quanto às negociatas com o regime de Angola. Já não foi mau.


Vagamente relacionado: a outra face do milagre do trabalho alemão assenta nos "minijobs", empregos com remunerações de cerca de 50 cêntimos à hora e que já contam com sete milhões de empregados na Alemanha.


Ainda mais vagamente: Os dividendos de 2011 da EDP e da REN vão ser entregues aos novos accionistas (as empresas chinesas Three Gorges e State Gride e Oman Oil), apesar de só terem adquirido as suas participações em 2012. O deputado Pedro Filipe Soares, do Bloco de Esquerda, salienta que “o Estado vai perder milhões de euros”.





1 comentário:

Anónimo disse...

Acresce ao ridículo da compra do BPN pelos "nossos" amigos angolanos, a compra de empresas falidas como a Levira a Aleluia a Topcer..etc.. via negociatas obscuras com a banca portuguesa...é triste...e ainda dizem que andamos a explorar os coitadinhos. Este país está a saque..