segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Passos da austeridade, Seguro da austeridadezinha. E a alternativa .

António José Seguro reuniu-se com a Troika. Não revelou detalhes sobre o encontro, seria de mau tom; não disse o que quer afinal o partido que estava no poder quando o memorando foi assinado, presume-se que o próprio memorando; e também ninguém lho perguntou, que isso são perguntas que apenas se fazem aos “radicais de esquerda” e para que respondam em 10 segundos. Resumiu o encontro com alegadas “divergências” que, por sua vez, resumiu na necessidade da troika conceder pelo menos mais um ano a Portugal para consolidar as contas públicas: ainda não quis dar-se conta de que as contas públicas se estão a deteriorar e porque o país se está a desintegrar.


Depois, o habitual arrazoado de lugares comuns.


Questionado sobre o facto de o primeiro-ministro ter admitido ontem que deverá ser necessário que as condições do memorando sofram um "ajustamento", António José Seguro aproveitou para deixar o ónus do lado do Governo. "Os portugueses já estão habituados o que o primeiro-ministro chegue tarde a conclusões óbvias", criticou. "Mais importante do que uma mudança na posição do primeiro-ministro, é que se o Governo já chegou à conclusão a que o PS chegou em Novembro passado, então é altura de [o Governo] a propor à troika". Os portugueses já estão habituados a que tanto adiantamento mental, espremidinho, espremidinho, não dê mais do que a mesma austeridade com um desconto de, quando muito, uns 5 ou 10 por cento, a cobrar logo a seguir, ao som daquela cantilena da "austeridade em doses afinal demasiado brandas" que José Sócrates nos cantou durante seis anos.


E do que precisamos é de uma mudança de paradigma. Entre outras medidas urgentes, de ^pôr o BCE a emprestar directamente aos estados-membros da UE, de investimento público para relançar a economia, de incentivos ao emprego baseados na estabilidade dos vínculos e na qualificação dos trabalhadores, de uma justiça fiscal que atenue as desigualdades e, dessa forma, reponha o consumo interno, de uma auditoria à dívida que diferencie o que é dívida legítima (a renegociar) e dívida ilegítima (a não pagar), de uma renegociação das PPP, de uma utilização da CGD para injectar liquidez na economia, da nacionalização de todo o sector financeiro que deixou de ser rentável e apenas consome recursos públicos e de uma suspensão imediata da venda de bens públicos ao desbarato. É claro que tudo isto não será nem Passos Coelho, nem este projecto de Passos Coelho a fazer ou a propô-lo à troika. Ficaria à vista de todos um historial de pilhagem com a idade da nossa democracia e, para além do mais, corresponde a um modelo contrário ao da desconstrução social, do enriquecimento fácil como direito adquirido e da exploração cuja implementação os grandes interesses económicos confiaram aos três partidos do arco da nossa dívida, sem reclamações que se lhes conheçam. Pode demorar, quanto mais demore, pior será, mas há-de chegar o dia. Porque este é o caminho.

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