quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Os radicais tiveram mais uma ideia



O Governo descobriu mais um negócio na Saúde e quem vai pagar, até 30 euros por deslocação, serão novamente os doentes. O Ministério da Saúde quer liberalizar completamente o transporte não urgente de doentes para possibilitar a concorrência de preços neste sector, à semelhança, dizem eles, do que é feito noutros países, sem dizerem quais e com que nível de vida. O objectivo anunciado é que este tipo de transporte passe a ser feito também por viaturas ligeiras simples conduzidas por alguém com uma formação mínima em suporte básico de vida, para além das ambulâncias dos bombeiros e dos táxis, como acontece actualmente em Portugal.


Serão 30 euros a somar ao mínimo de 20, que pode chegar a 50 euros, da taxa moderadora: os doentes que recorram ao serviço irão pagar entre um mínimo de 50 e um máximo de 80 euros para recorrerem a uma urgência ou consulta hospitalar. Os bombeiros, que vêem assim uma das suas principais receitas desaparecer no brilho desta ideia reluzente, ainda não disseram quanto vão cobrar a mais por cada intervenção quando sejam chamados para apagar um incêndio. Porém, aqui poderá estar novo negócio e a respectiva liberalização: cada um apaga o seu fogo, com ou sem a sua viatura ligeira, apenas munido de uma pequena mangueira comprada já com formação, como se faz em alguns países. Somália, Etiópia, Suazilândia, Ruanda, República Centro Africana, etc. O ano, para além de ser de redução drástica no rendimento das famílias, é também de seca. Ideal, portanto, para, custe o que custar, pôr à prova mais esta "reforma estrutural necessária". Se resultar agora, então é porque resulta mesmo.


Actualização: o Ministro da Saúde apressou-se a reagir. A estratégia seguida é bem conhecida de todos: primeiro, faz-se circular o boato de duas pernas partidas e, logo a seguir, “muito mais vantajosa”, anuncia-se que, afinal, é “”só uma. Assim, em vez dos 30 euros, os utentes pagarão pelo que antes era grátis 2,5 euros até aos 50 kms e 5 cêntimos por quilómetro a partir dessa distância. Os cidadãos que vivam a mais de 50 kms de um Hospital passam a cidadãos de segunda. Quanto a brincar com o fogo, a brincadeira é para seguir adiante.


Vagamente relacionado: Paulo Macedo, ministro da Saúde, foi assobiado no Barreiro, onde esteve presente para inaugurar a Unidade de Saúde Familiar Ribeirinha. Os populares protestavam contra o aumento das taxas moderadoras e a privatização de valências e exigiram mais equipamentos para as unidades do concelho.


Sem comentários: