quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O paraíso "lá fora"

António Nunes Coelho, de 49 anos, ainda esteve vivo “entre 15 minutos a uma hora” depois de ter sido despejado numa ruela deserta de Bruxelas pelo patrão e dois colegas da obra onde estava a trabalhar ilegalmente. Depois de ter caído de um andaime, vítima de um ataque cardíaco, em vez de ser socorrido foi transportado de camião e abandonado num local deserto. As autoridades belgas investigaram o caso e a autópsia concluiu que o português foi abandonado ainda com vida, noticiou ontem o jornal belga La Dernière Heure. O português, desempregado, na Bélgica há 12 anos, iria receber 500 euros por um biscate que aceitara fazer durante 3 dias. Exige-se uma posição pública do Governo português que não apenas a apresentação de condolências à família.


Segundo declarações de Rik Desmet, sindicalista da Federação Geral de construção FGTB, citado pelo site Lusófonos na Bélgica, o trabalho ilegal no país está a crescer: "Três quartos destas pessoas são originários de países lusófonos (portugueses, brasileiros, cabo-verdianos e angolanos). É muito difícil controlar estes circuitos de tráfico humano, dado que eles trabalham em muitos locais diferentes. A construção é um sector onde os acidentes ocorrem com frequência. Se um trabalhador ilegal na construção tem um acidente, geralmente os chefes não sabem o que fazer temendo as multas".

10 comentários:

Gi disse...

Que história horrível. E julgamos nós que o trabalho ilegal é coisa terceiro-mundista, e que a compaixão é um valor no Ocidente civilizado.

Filipe Tourais disse...

Sobretudo, parece que emigrar é uma maravilha, que a vida do emigrante é fácil.

Anónimo disse...

Na Madeira um natural que estava a fazer obras foi morto à pazada, por o dono da casa ter fugido.
Deixa 3 filhos e morreu por 250 euros.
E já agora do pessoal que foi para a rua no Luxemburgo, já há dois suicidas (e 50% são cabo-verdeanes).
Apanhar escarlatina ou tosse convulsa, que originou 6 óbitos no pessoal que foi para a Polónia e república checa em 94...também não deu dinheiro
Nem aos que morreram nas torres petrolíferas angolanas, as casas estão agora penhoradas por 77 mil euros (e só deviam 40 mil quando se finaram).

A vida de emigrante é melhor disse...

Do que coser botas a 70 cêntimos o par.

Anónimo disse...

Um ilegal custa 30 a 50% de um legalizado, por vezes menos.
Mas cá no burgo também, a crise das empresas é europeia.

Filipe Tourais disse...

Não percebo se aprovam o que aconteceu na Bélgica, se também aprovam os exemplos que enunciam ou se preferem um Portugal melhor onde todos possamos viver.

M. disse...

Incrível também é como mantêm uma pessoa a trabalhar ilegal num país durante 12 anos!!! Tão conveniente para quando há um acidente de trabalho... Muito chocada com isto.
Abraço,
Madalena

Filipe Tourais disse...

Não, percebeu mal, Madalena. Portugal pertence à UE, tal como a Bélgica, pelo que não há portugueses ilegais na Bélgica. Ele estava ilegal naquela empresa, como a Madalena estaria cá em Portugaal se fosse apanhada a trabalhar numa empresa sem contrato ou sem respeitar regras de segurança, por exemplo (pressupondo que havia fiscalização, outro tema conexo)

M. disse...

Sim, é isso, Filipe, a trabalhar ilegal, foi o que escrevi. E li algures que ele sempre tinha estado a trabalhar ilegal lá, o que me parece incrível. Quando há um acidente, onde está a prova de que a pessoa trabalhava ali, não é?

A chuva é filiada na CGTP? disse...

não é uma questão de preferir ou não acontece e vai piorar

morreram dúzias de moçambicanos com nacionalidade (ou passaportes falsos) portuguesa no ruanda...tuez-les tous...tanto dava ser negro ou indiano ou mestiço português matava-se pela posse de bens

aqui matar-se-à em menor escala pelas mesmas razões e por direitos adquiridos ou a adquirir

já vi acontecer em tanto lado

que duvido muito se importa que eu aprove ou desaprove...

se tem ligação directa ao divino...desaprove

se quiser um passaporte português com nome indiano e com manchas de sangue eu sei quem tem uns como recordação

eu não desaprovo quem tem tais práticas nem aprovo sou tíbio

nem vou pelos caydos

nem pelos que tomam vitoriosos Aceldama