quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

529.000.000.000,00€: do lado de lá da crise

Um total de 800 bancos tiveram hoje um empréstimo de 529,5 mil milhões de euros do Banco Central Europeu (BCE), na segunda oferta de empréstimos a três anos, acima das previsões. Alegadamente para tornar mais fácil o acesso aos empréstimos do BCE, Mario Draghi flexibilizou os critérios que são exigidos no domínio das garantias e reduziu também a taxa de juro de referência para o mínimo histórico de 1%. Os estados continuam impedidos de se financiarem directamente junto do BCE, pelo que é a partir desta taxa de juro que pode calcular-se o que estamos a pagar a mais pela liquidez que vamos obtendo neste “mercado”.


Da mesma forma, também porque a União Europeia não quer ter um Orçamento que permita financiar directamente actividades produtivas - agricultura, pescas, indústria, serviços -, o seu financiamento é feito indirectamente via bancos, que cobram aos empresários taxas de dois dígitos. Isto, claro, se estiverem dispostos a emprestar. Eles decidem a quanto querem remunerar-se e se emprestam ou não. E o dinheiro é nosso. Os senhores de Bruxelas chamam a isto "mercado". Não é. Os mercados não funcionam à custa do dinheiro dos contribuintes. Os custos económicos e sociais de manter artificialmente o sector financeiro em mãos privadas é que vão crescendo a cada dia que passa.


Vagamente relacionado: a constituição de uma nova comissão parlamentar de inquérito potestativa ao BPN regressou ao Plenário, poucos dias depois do PSD e CDS terem chumbado a constituição de uma comissão de inquérito, graças a uma intervenção do deputado bloquista João Semedo (video aqui), que, no fim do discurso, convidava os restantes grupos parlamentares da esquerda a avançar. “BE, PS, PCP e PEV votaram a favor da comissão de inquérito. São 98 votos, segundo o deputado do PS Pedro Nuno santos, Votos em número suficiente para vencer o muro de silêncio que a direita quer construir em torno da gestão pós-nacionalização pela CGD e da venda de favor ao BIC de Mira AMaral (ex-ministro nos Governos Cavaco Silva) e e Isabel dos Santos (filha do Presidente angolano), accionista maioritária do BCP (via SONANGOL).


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