quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Carnaval da austeridade

Ainda na Segunda-feira a troika elogiava a obediência dos portugueses. “A execução do Programa de Assistência Financeira a Portugal “vai no bom caminho”, disseram os representantes da troika hoje aos deputados, numa reunião no Parlamento” Era o que se lia um pouco por toda a imprensa, onde não se lia tão claramente que quem assim elogiava tem já a receber quase 10 mil milhões de euros em juros como remuneração da sua “ajuda”.


Hoje, torna-se claro quanto valem tão rasgados e desinteressados elogios. É que a Comissão Europeia acaba de divulgar as suas previsões de crescimento para o espaço europeu e, como seria de esperar, porque a austeridade é a política oficial para todo o espaço, as notícias não são nada boas: recessão e estagnação generalizadas e a perspectiva de que a situação se degrade ainda mais. A média de crescimento prevista para a União Europeia é de 0 por cento, menos 0,6 do que na previsão de Novembro, e de -0,3 por cento na zona euro, o que constitui uma degradação de 0,8 por cento face ao previsto há apenas três meses. A Comissão prevê ainda que o desemprego continue a crescer, tanto mais quanto mais intensa for a recessão em cada país.


Das previsões da Comissão podemos concluir que os países do centro irão ressentir-se da quebra no poder de compra da periferia importadora das suas exportações: nas melhores das hipóteses, a Alemanha apenas irá crescer 0,6 por cento (antes, 3 por cento) e a França 0,4 por cento (1,7 por cento em Novembro). Apesar dos Jogos Olímpicos, a Inglaterra apenas irá crescer 0,6 por cento.


Na periferia, destacam-se pela negativa os países com ordem para desmantelar os seus edifícios sociais, onde se está também a cortar a eito nos salários e nos direitos sociais: Espanha (ainda sem considerar medidas de “ajustamento”) -1 por cento (antes, -0,7 por cento), Itália -1,3 por cento (-0,1), Portugal -3,3 por cento (compara com os -3 e -3,1 por cento previstos, respectivamente, pelo Governo e Banco de Portugal) e Grécia -4,4 por cento (


Temos, assim, que A previsão para Portugal é uma das piores de toda a União Europeia (UE), apenas ultrapassada pelos 4,4% negativos previstos para a Grécia, que se seguem a uma contracção do PIB de 6,8% no ano passado. Conclusão mais do que óbvia: quanto maior a austeridade, maior a recessão. Impõe-se uma inflexão na estratégia de política económica. Mas o Governo quer que acreditemos que eles acreditam no contrário e acaba de anunciar, pela boca do Ministro que paga a impressão do Programa do Governo a 120 euros o exemplar, que em 2013 também não haverá torlerância de ponto no Carnaval. Para quê? Para afirmarem a sua autoridade e o poder de continuarem a brincar com o país e com os portugueses ao Carnaval da austeridade.

3 comentários:

Lambreta disse...

Por isso é que espanhóis, italianos etc... querem mudar o rumo das coisas e fugir da excessiva concentração no deficit público, pedindo que a Europa se concentre em medidas de crescimento e não em medidas de carácter obstipante...

Anónimo disse...

A previsão governo-troika começou por ser uma queda do PIB de 2012 de 1,6%. Passou para 1,9% no OE de 2012.

Em novembro, o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, afirmou no Parlamento que "2012 será um ano determinante para Portugal e para a economia portuguesa", pois "certamente irá marcar o fim da crise e será o ano da retoma para o crescimento de 2013 e 2014".

Anónimo disse...

Vê.se, não vê?