sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Numa Nação com amor próprio, nunca seria governante

Uma nação com amor-próprio não anda de mão estendida”, disse Passos Coelho no Parlamento, a propósito da obediência canina que o impele compulsivamente a repetir que não precisa de mais tempo nem de renegociar as imposições da troika. Fiquei baralhado, confesso. Ou perdeu a cabeça e aquilo foi um apelo à revolta popular, ou, pior ainda, a admissão de que “na situação actual do país”, o amor próprio “dentro das nossas possibilidades” situa-se entre os joelhos que traz sempre impecavelmente sujos e a mão que nunca hesita em estender. Ou então já fala em nome da Alemanha, o que também não é nada melhor. Espera lá. O tipo deve ter ouvido esta na última vez que pedinchou em Angola.


Vagamente relacionado: O «Handelsblatt» escreve na sua edição desta quinta-feira que os investidores comparam, cada vez mais, a situação nacional com a grega e, nas bolsas, já se pensa na reconversão da dívida portuguesa. Com o título «Os investidores dão Portugal como perdido» na primeira página, o jornal sublinha no extenso artigo citado pela TSF o aumento do desemprego, a elevada divida pública e privada e a quebra profunda do consumo.

3 comentários:

Bruno Santos Ribeiro disse...

Socrates dizia que nao era preciso pedir um resgate e depois foi o que se viu. Passos vai dizendo o mesmo mas ja ouvi analistas estrangeiros dizerem o contrario. Os erros repetem-se mas o povo nao aprende.

bombista não-suicida disse...

@Bruno Santos: faço das suas também as minhas palavras - foi disso logo que me lembrei quando ouvi essas declarações. Enfim, ainda há quem não acredita, mas eles são todos iguais...!

Filipe Tourais disse...

Não, eles não são todos iguais. Estes são, aceito, mas dizer que são todos iguais é esvaziarmos partidos dos quais precisamos para dar a volta a isto. A menos que queiram repetir a primavera árabe, derrubaram o poder e depois ficaram cada um para seu lado, sem organização política de suporte, à mercê dos todos iguais que se aproveitaram da situação.