quinta-feira, 1 de março de 2012

Menos coragem do que uma freira

António Costa rejeita que a Câmara de Lisboa esteja a estudar o surgimento de um bordel na Mouraria, mas admite que a Obra Social das Irmãs Oblatas apresentou uma proposta com vista à criação de “uma safe house” onde, entre outras coisas, as profissionais do sexo se poderiam dedicar a uma “prática segura” da sua actividade. Isto escandalizará os moralistas mais assanhados, que preferirão ignorar o problema humano e sanitário que ali está e deixar tudo na mesma. Já eu sou da opinião que a ideia é muito boa.


O que me escandalizou na notícia, o motivo que fez saltar estas linhas, foi verificar que o senhor Presidente se mostrou muito disponível para abordar o assunto, mas apenas até ao momento em que lhe perguntaram qual é a sua própria opinião: «o presidente da Câmara de Lisboa recusou no entanto responder se esta ideia se enquadra na sua visão para a requalificação da Mouraria, projecto que tem assumido como uma das suas bandeiras.» Ora, sendo uma das suas bandeiras, com toda a certeza que já pensou no assunto. E, uma vez que se pôs a falar do que os outros querem, expondo-os, seria natural e correcto que também expusesse o que pensa ao respeito e assumisse o seu projecto. Pelo contrário, António Costa optou por, sem se comprometer com absolutamente nada , atirar uma ideia ao ar para depois medir de que lado sopram os ventos. Isto é feio. Um político, sobretudo aqueles a quem é confiado o poder de decidir, não deveria ter menos coragem do que uma freira.

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