segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Magro, rigoroso e excelente

É preciso ter cuidado com notícias como esta, que contabilizam o salário dos administradores numa média de quase 5000 euros e são assim apresentadas com o intuito óbvio de despertar reacções. Não tenho dúvidas que o salário médio do Banco de Portugal seja elevado, nem que os seus funcionários, bastante qualificados, há que dizê-lo, gozem de regalias que cada vez mais contrastam com a contenção e redução salariais insistente e repetidamente prescritas em relatórios pejados de elogios à calamidade produzida por este e pelos anteriores Governos. Pagamos demasiado por esta máquina de propaganda, o Banco de Portugal tem demasiados administradores (5) e todos eles recebem bem mais do que o dobro do Presidente da República. O Estado tem gorduras a mais que o tornam demasiado pesado, dizem os relatórios do Banco de Portugal.


E necessita de mais rigor, também dizem. Na notícia, sobressaem ainda os 1,3 milhões de euros previstos em orçamento para pagar serviços a dois dos escritórios de advogados que, seja qual for o Governo, figuram sempre entre os maiores fornecedores do Estado português: 650 mil euros vão para a Sérvulo & Associados e outros 650 mil euros irão para a Vieira de Almeida & Associados. As duas contratações, como habitualmente, foram feitas por ajuste directo e sem consultar outras entidades. Como se vê, com todo o rigor mandatório para assegurar que fossem estes e não outros a fornecer um serviço que a valia técnica que justifica o nível salarial elevado praticado pelo BdP, a competência que não viu nada de estranho numa década de BPN, de forma alguma conseguiria assegurar. Falta de tempo.

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