quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Gostei de ler: "E a dívida alemã?"

«Gostaria de ver os arautos dos "mercados" que moralizam que "as dívidas são para pagar" (no caso da Grécia, com a perda da própria soberania) moralizarem igualmente acerca do pagamento da dívida de 7,1 mil milhões de dólares que, a título de reparações de guerra, a Alemanha foi condenada a pagar à Grécia na Conferência de Paris de 1946.


Segundo cálculos divulgados pelo jornal económico francês "Les Echos", a Alemanha deverá à Grécia em resultado de obrigações decorrentes da brutal ocupação do país na II Guerra Mundial 575 mil milhões de euros a valores actuais (a dívida grega aos "mercados", entre os quais avultam gestoras de activos, fundos soberanos, banco central e bancos comerciais alemães, é de 350 mil milhões).


A Grécia tem inutilmente tentado cobrar essa dívida desde o fim da II Guerra. Fê-lo em 1945, 1946, 1947, 1964, 1965, 1966, 1974, 1987 e, após a reunificação, em 1995. Ao contrário de outros países do Eixo, a Alemanha nunca pagou. Estes dados e outros, amplamente documentados, constam de uma petição em curso na Net (http://aventar.eu/2011/12/08/peticao-sobre-a-divida-da-alemanha-a-grecia-em-reparacao-pela-invasao-na-ii-guerra-mundial) reclamando o pagamento da dívida alemã à Grécia.


Talvez seja a altura de a Grécia exigir que um comissário grego assuma a soberania orçamental alemã de modo a que a Alemanha dê, como a sra. Merkel exige à Grécia, "prioridade absoluta ao pagamento da dívida".» - Manuel António Pina, no JN.


Da minha parte, gostaria de saber quanto ficaria a Alemanha a dever a Portugal caso um dia seja julgada esta ocupação que actualmente nos arruína para todo o sempre, depois de um quarto de século de uma integração europeia aproveitada pela Alemanha para cimentar a sua hegemonia e desaproveitada por Portugal para enriquecer a Alemanha e as clientelas dos três partidos que nos desgovernaram. Provavelmente, nada. O veredicto com toda a certeza que conteria umas linhas a dizer “vocês foram ocupados porque quiseram. E até se esforçaram para agradar ao ocupante externo e para elegerem, uma e outra vez, sempre os mesmos que vos roubaram ao longo de décadas." A pior das condenações foi e continua a ser sentenciada pelos próprios portugueses: sermos como somos.

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