sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Estas "negociações" também vão ser fáceis

Como se fosse do interesse de algum trabalhador ser obrigado a mudar-se para longe da sua casa e da sua família, o secretário de Estado da Administração Pública, Hélder Rosalino, pediu aos representantes dos sindicatos da Administração Pública – representam os trabalhadores, torna-se necessário relembrá-lo – para apresentarem propostas de incentivos à mobilidade geográfica. Quem se mostrou bastante interessado em entrar nesta que só pode ser uma brincadeira foi Bettencourt Picanço, do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), que se mostrou muito afoito em elogiar a abertura do Governo à negociação. Para quem não saiba, Bettencourt Picanço é um destacado militante do PSD que, já sob a liderança de Passos Coelho, encabeçou uma lista ao Conselho Nacional do partido. Percebe-se o empenho, não percebe? Só não se percebe muito bem é que ainda haja funcionários públicos que ainda descontem todos os meses uma percentagem do seu vencimento para sustentar uma estrutura que retribui com uma representação deste tipo.


Vagamente relacionado: Os representantes da troika, que estão em Portugal para a terceira avaliação do programa de ajustamento, vão reunir-se na segunda-feira com o líder do PS, António José Seguro, e, logo a seguir, com o secretário-geral da UGT, João Proença, que quer aproveitar o encontro para afirmar que Portugal está empenhado no diálogo para não repetir a situação grega.


Ainda mais vagamente: "Se os funcionários públicos não estiverem disponíveis, têm sempre como alternativa a hipótese de negociarem a sua situação contratual". Foi nestes tons, ameaçadores mas direitos, que o deputado João Almeida (CDS) ontem resumiu os propósitos do governo. Para o CDS e PSD, para quem não concorda com as propostas do seu Governo há uma boa solução: a porta da rua é a serventia da casa.


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