quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Eles comem tudo e não deixam nada

A Tobis foi vendida, por 4 milhões de euros, à Filmdrehtsich Unipessoal Lda, "detida a 100% por uma empresa de capitais angolanos", confirmou ao PÚBLICO José Pedro Ribeiro, director do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA). O património fílmico e imobiliário permanece nas mãos do Estado, garantiu o responsável, uma garantia que vale o que vale, não tivesse também garantido que foram salvaguardados os direitos dos trabalhadores, quando o acordo prevê o despedimento de metade deles. Está mais do que visto que, mais do que uns tostões, a Cultura não tem qualquer valor para a quadrilha que os portugueses puseram aos comandos do destino do país. Esta venda é o equivalente à venda da Torre do Tombo do Cinema português. Agora, todo o arquivo ficará aos cuidados de uma empresa angolana. Desconhecida. Aquele espaço deixou de ser nosso. Dói.


Dizer que ainda na passada semana foi vê-los a tentarem colar-se mal souberam que um realizador português – foram dois, mas sobre os prémios do segundo só se soube depois – ganhou um prémio num festival tão importante como o de Berlim. Na hora dos louros, eles estão lá, ainda que em nada contribuam para o sucesso. Miguel Gomes recusou tão honrosa companhia. Mas sobre este episódio do vasto anedotário deste Governo e sobre a encruzilhada de consequências da mercantilização da Cultura escreveu, muito bem, como sempre, o Sérgio Lavos. Vale a pena ler.

2 comentários:

Anónimo disse...

Venho apelar aos Angolanos para que levem para lá alguns dos produtos originários de Angola que aqui estão completamente desadaptados: o Relvas e o Coelho.

Eu até me disponibilizo a contribuir (este ano, dou os subsídios de Natal e de férias) para o transporte de tal mer(ca)d(ori)a.

bombista não-suicida disse...

"filmdrehtsich" - nome curioso para uma empresa angolana... parece-me alemangolês :))