quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

A desforra do franquismo


Baltasar Garzón (56 anos) vai estar onze anos sem poder exercer como juiz por ter ordenado escutas às conversas entre dirigentes da rede de corrupção do caso Gürtel, um dos maiores escândalos da Espanha democrática, e pelo advogado Ignacio Peláez, que representa um outro réu do mesmo caso. O Supremo Tribunal espanhol foi unânime em decretar o fim da carreira de Baltazar Garzón.


A acusação, movida por Francisco Correa e Pablo Crespo (ambos na prisão desde que Garzón ordenou que fossem detidos por suspeitas de terem pago milhões a dirigentes do Partido Popular, hoje no governo, em troca de contratos), sustentava que ao escutar conversas entre acusados e os seus advogados, Garzón tinha violado o direito da defesa, pelo que reclamava entre dez e 17 anos de interdição de exercer.


Garzón foi condenado por ter ousado exercer a sua profissão sem olhar a quem faria sentar no banco dos réus. Este é, portanto, um ajuste de contas entre o PP – e o franquismo – e quem se lhes atravessou no caminho, que contou com o patrocínio do Supremo espanhol. O Estado espanhol ofereceu uma via verde inteiramente grátis à corrupção. Lá como cá, nas auto-estradas da corrupção, apenas os cidadãos comuns pagam portagem. O franquismo regressou ao poder em Espanha. Em força.


Vagamente relacionado: Ao fim de quase duas horas de reunião, a Mesa do Parlamento decidiu que o primeiro-ministro não pode ser obrigado a responder pelo caso Secretas em sede de comissão. Assunção Esteves diz que é o regimento. E o regimento não mudou, pelo menos desde a última legislatura.

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