segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Deixem-nos trabalhar

Tal como acontece com os combustíveis, também há romarias a Espanha para comprar medicamentos. Porém, ao contrário dos combustíveis, a aquisição de medicamentos é comparticipada pelo Estado português e, ainda assim, o preço em Portugal é superior ao praticado em Espanha mesmo depois de deduzido o valor da comparticipação. Ora, dado que o mecanismo de formação de preços do sector foi recentemente alterado, pode assim constatar-se que o mesmo Governo que corta violentamente salários e direitos é bastante mais brando quando toca a cortar nas margens de lucro do sector farmacêutico. A comparticipação que pagamos com os nossos impostos apenas serve para aliviar dos nossos bolsos o peso deste abuso não tolerado em Espanha. Depois falam em reformar a Saúde e comentam o “não pode ser” dos défices monstruosos do nosso SNS. O abuso também pesa aí, mas, como a Saúde é para privatizar, é natural que trabalhem no seu apodrecimento para forçar mais uma “reforma estrutural necessária”. Está tudo como deve ser. O acordo com a troika até prevê 12 mil milhões para o sector financeiro que se acotovela para o adquirir. Com o nosso dinheiro. Deixem-nos trabalhar.


Vagamente relacionado: Um médico foi afastado da coordenação da Clínica de Patologia do Pulmão do Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto e transferido para as consultas de tumores digestivos. O caso surgiu depois do médico ter admitido a uma revista que havia casos de doentes a esperar tempo superior ao definido como clinicamente aceitável para tratamentos de radioterapia na instituição.

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