quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A canção do bandido

É a treta do dia. Depois de se ter disposto a ganhar um salário inferior aos seus executivos de topo, Mark Zuckerberg, dono do Facebook, propõe-se ganhar um salário de apenas 1 dólar a partir de 2013. Impressionados? Dispostos a corresponder ao apelo implícito neste exemplo de abnegação? Calma.


A entrada em bolsa do Facebook vai fazer deste herói do sacrifício o homem mais rico do mundo. Para além disso, os dividendos de capital têm uma carga fiscal incomparavelmente menor do que os rendimentos do trabalho. Não se percebe porque tem que ser assim, é apenas um capricho, permitido pelos eleitorados de todo o mundo, da captura do poder político pelo poder económico, mas esta aberração fiscal permite compreender o gesto desinteressado do Sr. Facebook, tal como a sua aceitação como natural pela maioria lhe possibilita um tremendo êxito na encenação mediática de hoje.


Amanhã, todos dirão: o homem só vai ganhar um dólar a partir de 2013. E o resto será o resto, o trabalho continuará a ser objecto de uma tributação muito superior ao capital e, maravilha da globalização, os salários de todo o mundo ocidental continuarão na sua rota de ajustamento ao salário médio chinês. Em contrapartida, Zuckerberg será dos ricos entre os mais ricos a contribuir menos para a sociedade que o vê enriquecer. E o aplauso será mundial, com uma ressalva: desde que o Facebook se mantenha gratuito. Jamais me perdoaria se deixasse de fora deste post o aspecto mais importante desta história de encantar.

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