sábado, 4 de fevereiro de 2012

Ajustamento, como o próprio nome indica

BCP, BPI e BES, os três maiores bancos privados portugueses, terminaram o último ano com prejuízos de 1098,9 milhões de euros: a transferência do fundo de pensões da banca, que falseou o défice público do ano passado, falseou também os resultados dos maiores beneficiários do plano de ajustamento externo. Neste caso, é fácil observar como os impostos que pagarão pelo exercício de 2011 ficaram ajustados a um redondo ZERO. Pedro Passos Coelho assegura que os portugueses podem ficar tranquilos quanto à situação da banca nacional. Seja. Concentremos as nossas preocupações em quem, na sua vez, está a pagar a crise que geraram.


Nota importante para os mais distraídos: este ajustamento será prolongado por 20 anos.


Vagamente relacionado: O Banco Central Europeu, que continua impossibilitado pelo unanimismo instalado aos comandos da União Europeia de emprestar um cêntimo que seja aos governos, prepara-se para emprestar mais de mil milhões de euros à banca europeia. Esta forte injecção de dinheiro no sistema financeiro reflete o plano de financiamento de emergência que o BCE oferece à banca para ajudar a capitalizá-la e retirá-la da crise. O BCE empresta dinheiro à banca a um juro de 1% anual, para que esta invista em bónus soberanos dos países, com um rendimento que hoje é de 4% para o caso espanhol, de 7% para o caso da Itália e 13% para Portugal. Quem paga a diferença? Todos os contribuintes, evidentemente.


Ainda mais vagamente (quatro dias depois): em mais um dia de valorização do sector financeiro, as acções do BPI registaram o segundo melhor desempenho de sempre, com um avanço de 15%. E o BES, com uma subida superior 13%, também viveu uma das suas melhores sessões em bolsa. Já o BCP - que chegou a disparar mais de 20% -, negociou mais de 500 milhões de acções, a liquidez mais elevada de sempre.

1 comentário:

Anónimo disse...

O financiamento dos bancos portugueses junto do Banco Central Europeu (BCE) voltou a aumentar em Janeiro, mês em que a exposição das instituições em relação à autoridade monetária da zona euro aumentou em 475 milhões de euros. O valor total ascendia no final do último mês a 46.477 milhões de euros.

De acordo com dados hoje (06/fev/12) divulgados pelo Banco de Portugal (BdP), o financiamento junto da instituição – através de diferentes mecanismos de cedência de liquidez – aumentou 1% de Dezembro para Janeiro.

O montante era, no final do último mês de 2011, de 46.002 milhões de euros e de 45.690 milhões em Novembro. Face a Janeiro do ano passado, representa um aumento de 13%. (daqui