sábado, 14 de janeiro de 2012

Temos que varrer o lixo, dizem as agências de rating

A título de justificação pela razia de ontem, o chefe da divisão europeia da Standard & Poor's para a dívida soberana, Moritz Kraemer, afirmou hoje que a resposta dos líderes europeus à crise da dívida soberana "não está à altura" dos riscos. Merkel é lixo, Sarkozy é lixo e mais lixo ainda é quem aceita obedecer cegamente ao que o lixo se lembre de mandar. Nós já sabíamos que eram todos lixo. Agora, também sabemos que as agências de rating sabem o mesmo: é tudo lixo. Um lixo que, ao transferir soberania - que continua sem retirar - para estas associações de benfeitores, se pôs a jeito para passar por este vexame.

Será lógico que comecemos agora a ouvir o lixo a dizer mal do lixo que até aqui foi um deus que tinha sempre razão. O lixo vai desesperadamente tentar varrer para evitar ser varrido. E seria muito mais útil que, em vez de alinhar em jogos florais que nada nos beneficiam, o nosso lixo doméstico aproveitasse esta deixa para reivinindicar outro caminho para Portugal que não a imposta - e mais do que obedientemente aceite - austeridade que nos destrói a cada dia que passa.

1 comentário:

Anónimo disse...

O comunicado da S&P sobre as decisões da última sexta-feira é arrasador para a Zona Euro. A S&P reconhece que a principal causa da actual crise são os desequilibrios macroeconómicos entre países da zona euro, não as finanças públicas e o despesismo, e que a austeridade pode ser contraproducente. E conclui o óbvio: nada do que foi decidido na Cimeira de dia 9 de Dezembro permite abrir caminho para superar a crise, promover o crescimento ou combater o desemprego - antes pelo contrário. É a incapacidade dos actuais líderes europeus em reconhecer a natureza desta crise que preocupa a S&P e que justifica a razia nos ratings. Vítor Gaspar, em vez de aproveitar a deixa e usar a S&P como aliado para defender mudanças na política europeia, faz exactamente o contrário: