quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Tachos, panelinhas e panelões

A água e as dívidas, uma relação intrínseca, quase natural. Uma autarquia devia uns largos milhões à Águas de Portugal e a sageza do autarca que se esforçou para atingir essa acumulação será agora aproveitada pela credora para gerir a sua liquidez.
O mar e os bancos é outra fonte de vasos comunicantes. Toda a gente sabe que quem tem conhecimentos sobre o primeiro tema também é um especialista no segundo. Como tal, Nogueira Leite lá girou da Associação Oceano XXI para a Caixa Geral de Depósitos.
As autarquias e o Oceano, mais um excelente exemplo de dois temas quase, senão mesmo coincidentes. Pelo mesmo motivo, porque quem preside a uma Câmara Municipal suficientemente perto do mar para ser bafejada pela brisa marinha sempre vai acumulando conhecimentos para presidir a uma Associação com o nome Oceano XXI, Ribau Esteves, o segundo de Santana Lopes, que também saltou para as Misericórdias, foi escolhido para presidir à dita das maresias.
Como é fácil de verificar, Em nenhum dos casos há aqui o mais leve sinal de nomeações por critérios político-partidários.. Passos Coelho é lá homem para faltar à palavra dada. Tinha prometido acabar com a tradição jobs for the boys. O país mudou. Continua a mudar. E Passos não há-de ficar-se por aqui. Há por aí muitos talentos subaproveitados.

4 comentários:

gogol de kapote disse...

O Doutor engenheiro não tem padrinhos?

Sá Carneiro apadrinha de graça.

Anónimo disse...

Sabemos que Braga de Macedo foi ministro das Finanças de Cavaco Silva e que é militante do PSD, pelo qual foi deputado. Sabemos que foi nomeado por Passos Coelho para definir a política externa económica deste governo, à qual Paulo Portas não ligou pevide. Sabemos que depois disso foi escolhido, com Eduardo Catroga, Celeste Cardona e Paulo Teixeira Pinto, todos do PSD e do CDS, para o Conselho de Supervisão da EDP. Sabemos que é Presidente do Conselho Diretivo do Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT). Não sabemos, nem em princípio teríamos nada que saber, que tem uma filha, Ana Macedo, que é artista plástica.

Ana Macedo fez, em Julho do ano passado (só agora tive acesso a essa informação) uma exposição em Maputo. "Caras e Citações: uma interpretação estética sobre Universidade, Cultura e Desenvolvimento". A exposição teve o apoio do Instituto Camões. E, coisa rara, não foi no seu centro cultural, mas na bonita estação de caminhos-de-ferro (que tive oportunidade de conhecer) . Teve o apoio do Instituto Camões. Continuo a não ter nada para dizer. É excelente que o Instituto Camões apoie e divulgue os artistas plásticos portugueses (deixo de fora deste texto qualquer consideração sobre a qualidade da exposição, que aqui não vem ao caso, até porque só vi as fotos da dita ). E o facto da artista ser filha de quem é não a deve prejudicar. Portugal é pequeno e a probabilidade de alguém ser filho de alguém com responsabilidades em alguma área não é pequena.

O problema vem depois. Além do Instituto Camões, outra instituição do Estado apoiou o acontecimento. Sim, já adivinharam: o Instituto de Investigação Científica Tropical. O mesmíssimo que o pai da artista plástica dirige. Garante um português que vive em Maputo há quinze anos e que conhece bem a vida cultural da cidade que nunca o IICT patrocinou algum acontecimento cultural em Maputo .

Alertado por este post, fui investigar a coisa. Bastaram uns telefonemas e umas buscas na Net. É tudo é feito às claras, como se se tratasse da coisa mais natural do mundo. O apoio do IICT a esta exposição e a esta artista já vem de Lisboa, com uma parceria entre a Faculdade de Letras (no âmbito do seu centenário) e este laboratório do Estado , através do seu projeto "Saber Continuar". Na altura, a artista agradeceu "por esta oportunidade de criar um projeto que se tem revelado propício à partilha de metas comuns de desenvolvimento cultural" . Mas mais ainda: outra exposição Ana Macedo, em Março de 2010, agora sobre Jorge Borges de Macedo (pai do presidente e avô da artista - fica tudo em família), contou com o apoio desta instituição pública, mais uma vez no âmbito do tal projeto "Saber Continuar". E parei aqui a investigação, com a certeza que iria encontrar muito mais nesta frutuosa relação familiar com dinheiros públicos.

É natural que Braga de Macedo goste da sua filha e a tente ajudar na sua carreira. Assim fazem todos os pais. Não é natural que use os nossos recursos para o fazer. O IICT não lhe pertence nem é uma fundação ou empresa privada. É-me desconfortável falar da vida familiar de qualquer pessoa. Até porque odeio que falem da minha. Mas é quem usa o que é de todos para ajudar os seus que expõe a sua família ao escrutínio público. Faz mal duas vezes: a nós e a quem quer ajudar.

Caberá a Braga de Macedo explicar este comportamento eticamente inaceitável. Com que critérios usou dinheiros do Estado (pouco ou quase nada, tanto faz) para apoiar a carreira da sua própria filha? Como explica o mais despudorado dos nepotismo na gestão da coisa pública? E mais não digo, que começo a ficar cansado de tanto desplante. Daniel Oliveira, Expresso

Anónimo disse...

Fazem parte dos QUADROS da PT os filhos/as de: - Teixeira dos Santos.- António Guterres.- Jorge Sampaio.- Marcelo Rebelo de Sousa.- Edite Estrela.- Jorge Jardim Gonçalves.- Otelo Saraiva de Carvalho.- Irmão de Pedro Santana Lopes. Estão também nos quadros da empresa, ou da subsidiária TMN os filhos de : - João de Deus Pinheiro.- Briosa e Gala.- Jaime Gama.- José Lamego.- Luis Todo Bom.- Álvaro Amaro.- Manuel Frexes.- Isabel Damasceno. Para efeitos de "pareceres jurídicos" a PT recorre habitualmente aosserviços de: - Freitas do Amaral.- Vasco Vieira de Almeida.- Galvão Telles. Assim não há lugar para os colegas da faculdade destes meninos, queterminaram os cursos com média superior e muitos estão ou a aguardaro primeiro emprego, ou no desemprego, ou a trabalhar numa áreadiferente da da sua licenciatura. É ou não uma PERFEITA DEMONSTRAÇÃO DA SOCIEDADE DO CUNHACIMENTO ?

Filipe Tourais disse...

Não há mal nenhum em que alguém que é filho de outro alguém importante trabalhe. O que preocupa não é bem isso e sim os critérios que conduzem à sua contratação.