segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Quem não vota, não conta: e pobre não vota

O Instituto de Segurança Social está sem dinheiro para atribuir subsídios eventuais a pessoas em situação de grave carência. A estes apoios pode recorrer quem tem um rendimento per capita inferior ao valor da pensão social (189,52 euros). Em Dezembro, não houve autorização para introduzir pedidos no sistema informático. A explicação era simples: já não havia dinheiro. A verba da acção social seria reforçada no início do ano, como sempre. Só que os dias foram passando sem notícia.


Haveria tanto a dizer sobre a insensibilidade social deste Governo. Parece-me, no entanto, que o distanciamento é a melhor receita para não nos perdermos na encruzilhada de emoções para onde as injustiças sempre nos remetem. Esta trata-se, uma outra vez, da aplicação da regra pavloviana das prioridades de uma certa parcela do nosso espectro político: quem não vota, não conta. E os pobres nem votam, nem protestam. Põem-se a jeito para serem vítimas de actos de cobardia, como mais este. Prefiro não expressar pena, como a direita que se elege nesta zona de conforto ou como a caridade que lhe agradece a clientela. Expressar pena, para além de nada resolver, é uma forma primária de alguém se superiorizar rebaixando a condição humana do alvo da sua pena. Mas que lamento que haja quem, aconteça o que acontecer, não aprenda a fazer por si próprio, não o nego, lamento mesmo.


Vagamente relacionado: no ano passado, famílias e promotores imobiliários entregaram 6900 casas e terrenos aos bancos por não conseguirem suportar os encargos com os respectivos empréstimos, número que representa um aumento de quase 18% face a 2010.

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