quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Portugal não é a Alemanha

Ontem, o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho garantiu que Portugal não precisará de mais tempo ou de mais dinheiro da troika, um cenário que tinha sido avançado pelo Wall Street Journal, que escreveu que os investidores e os políticos temem que Portugal possa precisar de um novo resgate da União Europeia e do FMI. Voltou A Convencer Apenas Quem Já Havia Decidido Deixar-Se Convencer. As taxas de juro portuguesas a dez anos bateram hoje um novo recorde desde a entrada no euro – 14,8%. O mesmo aconteceu com os juros que os “investidores” pedem para comprar títulos a cinco anos, que está já em 19,1%. As taxas de juro da dívida a dois anos também estão a subir, rondando os 15,3%.


Outra fanfarronice de Pedro Passos Coelho tem sido a colagem ao que defende Angela Merkel quanto à Europa não necessitar de um papel mais interventivo do Banco Central Europeu, nomeadamente emprestando liquidez directamente aos estados-membros sem a intermediação de especuladores que têm enriquecido fazendo subir exponencialmente os juros que os remuneram. E, hoje, no dia em que os juros da dívida portuguesa sobem como se lê acima e atingem um novo máximo de sempre, a Alemanha foi também ao mercado e colocou 2,5 mil milhões de euros a 30 anos ao preço mais baixo de sempre, 2,62%. A Alemanha não precisa de eurobonds para nada, até porque com eurobonds não poderia depois vender a liquidez barata que consegue no mercado a países em dificuldades como Portugal. Portugal não é a Grécia, prega-se por aí aos tolos, mas, na nossa réplica perfeita da tragédia grega, o que vê quem não acedeu a prescindir de usar a razão é que Portugal não é a Alemanha.

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