sábado, 14 de janeiro de 2012

Os mercados nunca se enganavam

Já lá vai o tempo em que apenas os países da periferia eram desclassificados pelas agências de rating. Os países do centro, mormente a Alemanha e a França, insistiram na receita austeritária e em confiar ao mercado poderes da esfera estritamente pública, permitindo à especulação plena liberdade para inflacionar os juros que lhes engordam a riqueza. Como tal, não será surpresa nenhuma que a Standard & Poor’s tenha feito uma autêntica razia nas notações de 9 países da zona euro, abrindo caminho a novos filões mais a Norte. A bomba que permitiu a imposição da agenda política de desmantelamento do Estado social em países alegadamente preguiçosos e indisciplinados rebenta-lhes agora nas mãos.
O destaque vai inteirinho para a perda do triplo AAA da França, que põe Sarkozy em maus lençóis em vésperas de eleições, marcadas para daqui a três meses, porque é daqui que pode surgir uma inflexão no descalabro europeu caso os franceses percebam que também a França vai com toda a certeza perder se reconduzirem no poder o Presidente responsável pelas (não) decisões políticas que estão a fazer a França resvalar para a gula dos mercados.
Portugal alcançou o seu triplo lixo. Parece que os mercados não têm medo das avalanches de e-mails que dizem “eles vão ver com quem se meteram”. A estratégia de Passos Coelho da figurinha do bom aluno que se ajoelha sempre que lhe parece que vai agradar decididamente apenas convence quem quer deixar-se convencer.

1 comentário:

Anónimo disse...

Se Sarkozy perder, muda alguma coisa ou o socialista de lá é igual aos daqui?