quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O regulador retribui o financiamento: transferir em vez de criar riqueza

Em todas as estações é exibido o anúncio de um pacote com os quatro canais que antes eram gratuitos e agora são oferecidos a 9,90 euros. Em comunicado divulgado esta terça-feira, a CT da RTP diz que a forma como está a ser desenvolvida a implementação da Televisão Digital Terrestre em Portugal "é um verdadeiro escândalo económico e político com graves consequências sociais a curto, médio e longo prazo". Os trabalhadores do serviço público de televisão interrogam-se sobre o facto de na Europa a TDT ter sido o "catalisador de uma explosão de variedade de oferta televisiva", com muitas dezenas de canais de acesso livre em cada país, enquanto Portugal "terá como triste distinção o facto de ser o país europeu com o menor número de canais nesta plataforma". Para a CT da RTP, a explicação é simples: "porque tudo neste processo da TDT foi motivado, não pela defesa do bem público, mas sim pela defesa do bem privado, nomeadamente das operadoras de telecomunicações móveis".



A entrega do desenvolvimento da plataforma TDT à Portugal Telecom, "que tem como principal actividade a venda de pacotes de cabo através do Meo", é alvo de fortes críticas dos trabalhadores da RTP, bem como as "decisões políticas de todo incompetentes", como a "de assegurar a cobertura de uma percentagem de território em vez de assegurar a cobertura de uma percentagem de população", uma diferença que parece de pormenor, mas que é responsável por deixar mais de um milhão de pessoas sem acesso à televisão. Os elogios de responsáveis da ANACOM ao modelo seguido apesar de todas as queixas das populações do interior, as mais afectadas por esta exclusão tecnológica, só podem explicar-se, no entender da CT da RTP, "pela dolorosa evidência de que, em Portugal, o regulador do sector das telecomunicações é financiado por aqueles que regula". (ler mais)

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