segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Nove dias e meio depois

Entramos na segunda semana do ano e já o Governo prepara os espíritos para uma dose adicional de austeridade. Já temos experiência suficiente para sabermos que a “medidas adicionais” se sucedem invariavelmente mais “medidas adicionais”, mas, desta vez, a justificação do reforço da dose (ainda) não a encontramos nem no recuo do PIB que sempre vem a seguir, nem na diminuição das receitas fiscais induzidas por essa diminuição da actividade económica, ou de qualquer derrapagem da despesa resultante do aumento do desemprego, até porque a protecçãono desemprego têm-na diminuído a olhos vistos. Desta vez, a justificação chama-se BATOTA: a transferência do fundo de pensões dos bancários, o artifício que o Governo utilizou para reluzir o défice espantoso do ano passado e que, apesar de desde sempre saber que iria traduzir-se num acréscimo de despesa neste ano, não quis comunicar para não estragar a festa, vai fazer aumentar o défice orçamental em 2012. Pagarão os mesmos que já pagaram nas vezes anteriores, acentuando a vergonha que fez de Portugal o único país da UE onde a austeridade castigou mais os mais pobres do que os mais ricos. A paciência para este pesadelo sem fim parece estar a esgotar-se até mesmo no seio do PSD.


2. Uma empresa municipal da câmara de Ponta Delgada, presidida pela líder do PSD-Açores, inscreveu no seu Orçamento para 2012 o pagamento de subsídios de férias e de Natal para acautelar o cenário de um eventual pronunciamento do Tribunal Constitucional sobre a inconstitucionalidade do Orçamento do Estado de 2012.

1 comentário:

Anónimo disse...

O risco de um país ser obrigado a sair do euro contra a sua vontade ou de todo o projecto da moeda única ruir, é uma possibilidade real, considera Joseph Stiglitz. O prémio Nobel da Economia, em declarações ao i, afirma também que as medidas decididas em Dezembro pelos líderes europeus, como a imposição de limites ao défice e à dívida, são pura pólvora seca já que, mesmo que estivessem em prática, não teriam evitado a actual crise e tampouco irão resolvê-la. E alerta: “É uma questão de tempo até os mercados perceberem isto.” Quando tal acontecer, a pressão ganhará mais força.