terça-feira, 24 de janeiro de 2012

No tempo destes senhores

Também no ensino superior estamos a regressar ao tempo da outra senhora, quando frequentar um curso universitário era privilégio apenas das classes com rendimentos suficientes para pagar os estudos aos seus filhos. As propinas aumentaram, o apoio social escolar diminuiu drasticamente e, em consequência, o número de cancelamentos de matrículas continua a aumentar. Estima-se que tenha crescido pelo menos 6 por cento no último ano. Ao mesmo tempo, sinal, simultaneamente, da inabilidade ou falta de vontade política para maximizar a utilidade dos recursos canalizados para a inovação e do aprofundamento da matriz de competitividade baseada em salários baixos que marcou o salazarismo e ditou o nosso atraso estrutural a partir de então, Portugal vai caindo no ranking da eficiência do investimento em inovação e desenvolvimento (I&D). Sem dúvidas que é incomparavelmente mais fácil apontar a porta da emigração, desregular as relações laborais ou falar na zona de conforto do desemprego a jovens para os quais a economia não gera empregos. Apesar dos 30,7% de taxa de desemprego entre os jovens, o Governo conta com um povo que aplaude quando um dos seus engravatados, de cada vez que se confronte com a sua própria incompetência, possa pôr aquele arzinho e encher a boca com a palavra “empreendedorismo”, ou, simplesmente, vomitar um “vão mas é trabalhar”. Anda para aí muita malandragem.

2 comentários:

M. disse...

Sem dúvida que sim, é isso que a direita pretende! Incomoda a muita gente que os filhos dos empregados andem na universidade e que até tenham a ousadia de tirar boas notas!
Outra medida a contribuir para isto é, por exemplo, o corte no apoio aos passes de estudantes. Quem precisa mesmo de andar de transportes públicos não são os ricos.
Boa semana!
Madalena

Filipe Tourais disse...

Boa semana, Madalena.